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Perdidas na floresta Mesmo à saída de Belas encontramos um caminho pelo meio de algumas hortas okupas.   Quanto às hortas, pelas suas grandes dimensões e de tão bem muralhadas que estavam, ficamos a pensar que esta ocupação já foi feita há muito tempo. Infelizmente, não encontramos ninguém com quem pudéssemos confirmar esta suspeita. O caminho levou-nos a subir o rio Jamor, praticamente até à zona do Lisbon Sports Club, já bem para dentro da Serra da Carregueira.     Nem parecia que estávamos a 5 minutos da cidade. Sempre avistando infraestruturas que identificamos pertencerem ao Aqueduto das Águas Livres (sim, o que acaba nas Amoreiras, em Lisboa), fomos caminhando pelo meio da natureza. Vimos como o terreno é rochoso, confirmando o que a Natalina nos havia explicado no dia 1. As hortas já tinham ficado para trás, aqui a natureza já se exprimia com maior liberdade: várias espécies de […]

Diário de Bordo I Dia 4 I Como okupar um ...


O Jamor, as minas e o golfe Fizemos a visita da praxe à Natalina, antes irmos ter com o Sr. Fernando.   Visitamos as Minas do Brejo e imediatamente percebemos a sua importância na economia familiar do Sr. Fernando: regar a cultura agrícola, dar de beber aos animais e, no passado, fonte de água para todos. As minas também passaram a ajudar no lazer, quando perto de duas delas o Sr. Fernando construiu um espaço de refeições e descanso. Depois fomos ao Lisbon Sports Club, em Belas, onde o Hugo, o greenskeeper do campo de golfe, já nos esperava no seu buggy. Estava pronto para nos levar a passear ao longo da porção do Rio Jamor que corre na propriedade do clube. Informou-nos que fazem com regularidade um trabalho de limpeza e de manutenção de margens, aproveitando o rio como um dos obstáculos na prática do golfe. Já no inverno, […]

Diário de Bordo I Dia 3 I Como okupar um ...



A água de Dona Maria Voltando a Dona Maria, revisitamos a Natalina.   Ela entretanto já tinha feito pesquisas para nos ajudar sobre o rio Jamor, mas nenhuma conclusiva quanto ao local da sua nascente, aconselhando-nos a consultar as cartas militares. São muitas, as minas de água existentes pela zona, havendo por exemplo uma mesmo debaixo do principal largo de Dona Maria, o Largo do Chafariz. Disse-nos que esta é a zona de Lisboa com maior quantidade de águas subterrâneas, pelo que a etnografia local está intimamente ligada ao tema da água: as lavadeiras até aos anos 80 assistiam Lisboa com os seus serviços, havendo hoje em dia ainda as almácegas onde lavavam a roupa (atualmente as almácegas estão em propriedade privada, não podendo ser visitadas); os aguadeiros iam de Dona Maria para Lisboa para vender água. Existe a crença que estas águas têm propriedades medicinais e era costume beber-se […]

Diário de Bordo I Dia 2 I Como okupar um ...


À procura de uma nascente Queríamos começar pelo início, encontrar o local onde nasce o rio Jamor. Não foi fácil.   Contrariamente ao esperado, a web não informa acerca do paradeiro da nascente do Jamor. Tudo o que se lá encontra é uma vaga informação sobre como o rio nasce em Dona Maria, na Serra da Carregueira, concelho de Sintra. De câmara de filmar em punho, fomos nessa verdadeira expedição. E descobrimos o seguinte: a)      Dona Maria é uma pequeníssima aldeia nos subúrbios da Grande Lisboa, mas preserva ainda características bem rurais - pequenas quintas, um casario meio desordenado que desemboca em pequenos largos, estradas de terra batida e muitas fontes; em Dona Maria toda a gente se conhece e/ou tem grau de parentesco. b)      O rio Jamor vai ganhando diferentes nomes, dependendo do lugar por onde passa (ribeira de Belas, ribeira do Brejo, ribeira de Dona Maria, etc); nasce […]

Diário de Bordo I Dia 1 I Como okupar um ...



Após a tendência do século XX de casas okupadas, trazemos para o século XXI uma nova necessidade: okupar rios. Ao usar modelos económicos insustentáveis, as comunidades urbanas têm perdido os seus rios como um bem comum. É urgente resgatar a relação antiga entre ambos. Como okupar um rio é uma ferramenta de aprendizagem de investigação e desenvolvimento, que visa mostrar como uma comunidade pode resgatar um rio pelo bem comum.     A relação rio-cidade é essencial para o desenvolvimento urbano. A disponibilidade de água foi sempre um dos factores decisivos para o estabelecimento definitivo das populações. Com o avanço industrial, as relações rio-cidade mudaram. Existe uma separação funcional, causada por grandes obras de correcção perpetradas nos rios urbanos, agravadas pelos fortes níveis de poluição de dos leitos e margens. Se os maiores rios são utilizados quase que exclusivamente para fins económicos, os mais pequenos, geralmente extremamente poluídos, constituem, nas […]

Como okupar um rio