{"id":5106,"date":"2023-12-08T19:41:00","date_gmt":"2023-12-08T19:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/academiacidada.org\/?p=5106"},"modified":"2024-03-05T19:45:02","modified_gmt":"2024-03-05T19:45:02","slug":"os-obstaculos-a-mudanca-gerador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiacidada.org\/en\/os-obstaculos-a-mudanca-gerador\/","title":{"rendered":"Os obst\u00e1culos \u00e0 mudan\u00e7a | GERADOR"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gerador.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/cabecalho_desktop.webp?w=1170&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-gerador wp-block-embed-gerador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"d9sQlIQTuH\"><a href=\"https:\/\/gerador.eu\/os-obstaculos-a-mudanca\/\">Repensar o sistema em que vivemos: os obst\u00e1culos \u00e0 mudan\u00e7a<\/a><\/blockquote><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Repensar o sistema em que vivemos: os obst\u00e1culos \u00e0 mudan\u00e7a&#8221; &#8212; Gerador\" src=\"https:\/\/gerador.eu\/os-obstaculos-a-mudanca\/embed\/#?secret=tByXN1CPxC#?secret=d9sQlIQTuH\" data-secret=\"d9sQlIQTuH\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\"><a href=\"https:\/\/gerador.eu\/os-obstaculos-a-mudanca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/gerador.eu\/os-obstaculos-a-mudanca\/<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Esta \u00e9 a quarta parte da grande reportagem \u201cRepensar o sistema em que vivemos\u201d para garantir um futuro mais sustent\u00e1vel e justo, que tem seis partes e come\u00e7ou a ser publicada a partir de 17 de novembro no Gerador. \u201cTudo est\u00e1 interligado [\u2026], e estes conflitos acontecem tamb\u00e9m pela crise das nossas economias, do nosso modo de vida como sociedade, que \u00e9 insustent\u00e1vel, com produ\u00e7\u00f5es e modos de consumo tamb\u00e9m insustent\u00e1veis, que geram crises sociais, econ\u00f3micas e pol\u00edticas em v\u00e1rios pa\u00edses, principalmente nos em desenvolvimento, que s\u00e3o aqueles onde muitos dos pa\u00edses desenvolvidos v\u00e3o explorar os recursos. Ent\u00e3o, temos de ter uma vis\u00e3o muito mais macro, abrir os olhos para esses outros aspetos, e ter uma sensibilidade muito mais apurada, porque falta muita empatia no mundo atualmente.\u201d \u2013 entrevistas exclusivas com Islene Fa\u00e7anha (associa\u00e7\u00e3o ZERO), Jo\u00e3o Costa (ativista pela justi\u00e7a clim\u00e1tica) e Susana Viseu (consultora da presid\u00eancia da Rep\u00fablica Portuguesa).<\/h4>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Um ponto de situa\u00e7\u00e3o: 2023, o in\u00edcio da \u201cera da ebuli\u00e7\u00e3o global\u201d<\/h3>\n\n\n\n<p>O Painel Intergovernamental para as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas, conhecido como IPCC, divulgou a 20 de mar\u00e7o um relat\u00f3rio que Ant\u00f3nio Guterres, secret\u00e1rio-geral da ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas), descreveu como \u201c<a href=\"https:\/\/press.un.org\/en\/2023\/sgsm21730.doc.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">um guia de sobreviv\u00eancia para a humanidade<\/a>\u201d. Este <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/assessment-report\/ar6\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio s\u00edntese<\/a> do Sexto Ciclo de Avalia\u00e7\u00e3o, formado por v\u00e1rios grupos de cientistas de diversos pa\u00edses que trabalharam sob a \u00e9gide da ONU e avaliaram ao longo dos \u00faltimos anos as altera\u00e7\u00f5es no clima do planeta, resume os resultados de seis outros publicados entre 2018 e 2022. Cada grupo de trabalho contribuiu com um relat\u00f3rio diferente (com os subt\u00edtulos <em><a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/sixth-assessment-report-working-group-i\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Base da Ci\u00eancia F\u00edsica<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/sixth-assessment-report-working-group-ii\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Impactos, Adapta\u00e7\u00e3o e Vulnerabilidade<\/a><\/em> e <em><a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/sixth-assessment-report-working-group-3\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mitiga\u00e7\u00e3o das Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas<\/a><\/em>), tendo sido desenvolvidos ainda tr\u00eas relat\u00f3rios especiais (<em><a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/sr15\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Aquecimento Global de 1,5\u00b0C<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/srccl\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas e o Solo<\/a><\/em> e <em><a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/srocc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Oceano e a Criosfera num Clima em Mudan\u00e7a<\/a><\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>O documento desenvolve extensivamente as consequ\u00eancias das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas desencadeadas pelo ser humano e as medidas necess\u00e1rias para limitar o aquecimento global a 1,5\u00baC (graus Celsius) acima dos valores pr\u00e9-industriais, salientando que tal ainda \u00e9 poss\u00edvel, mas cada vez mais improv\u00e1vel, e que a humanidade deve lutar por uma meta o mais pr\u00f3xima poss\u00edvel desse valor. Ainda assim, j\u00e1 no final do ano passado, relat\u00f3rios <a href=\"https:\/\/unfccc.int\/sites\/default\/files\/resource\/cma2022_04.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">da UNFCCC<\/a>&nbsp;(Conven\u00e7\u00e3o Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas) e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.unep.org\/resources\/emissions-gap-report-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">do UNEP<\/a>&nbsp;(Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Ambiente) apontavam para uma poss\u00edvel subida global da temperatura de 2,5\u00baC at\u00e9 2100, com estimativas no intervalo de 2,1 a 2,9.<\/p>\n\n\n\n<p>Um ano depois, o <a href=\"https:\/\/www.unep.org\/resources\/emissions-gap-report-2023\"><em>Emissions Gap Report<\/em><\/a> do UNEP de 20 de novembro (a 14.\u00aa edi\u00e7\u00e3o deste relat\u00f3rio de avalia\u00e7\u00e3o anual) tem logo como subt\u00edtulo <em>Broken Record \u2013 Temperatures hit new highs, yet world fails to cut emissions (again)<\/em>. Estes relat\u00f3rios est\u00e3o de facto a tornar-se num \u2018disco riscado\u2019, verificando repetidamente que as temperaturas continuam a aumentar e que os cortes de emiss\u00f5es continuam a n\u00e3o ser suficientes. Apesar de algum progresso ter sido conseguido desde a assinatura do Acordo de Paris em 2015, mesmo que as na\u00e7\u00f5es cumpram as contribui\u00e7\u00f5es incondionais, o aquecimento global s\u00f3 ser\u00e1 limitado a 2,9\u00baC, descendo esse n\u00famero para 2,5 na eventualidade de os pa\u00edses implementarem tamb\u00e9m as contribui\u00e7\u00f5es condicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o fim do ano a aproximar-se, j\u00e1 se tornou bastante claro que 2023 est\u00e1 a ser um ano preocupantemente at\u00edpico. A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) e o programa <em>Copernicus Climate Change Service<\/em> (C3S) da Uni\u00e3o Europeia estimam que julho tenha sido <a href=\"https:\/\/climate.copernicus.eu\/july-2023-warmest-month-earths-recent-history\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o m\u00eas mais quente<\/a> de que h\u00e1 registo. Estes dados foram imediatamente acompanhados por <a href=\"https:\/\/press.un.org\/en\/2023\/sgsm21893.doc.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">declara\u00e7\u00f5es de Ant\u00f3nio Guterres<\/a>, que os classificou como \u201cum desastre para todo o planeta\u201d. \u201cE para os cientistas, \u00e9 inequ\u00edvoco \u2013 os seres humanos s\u00e3o os culpados\u201d, acrescenta o secret\u00e1rio-geral da ONU: \u201cTudo isto \u00e9 inteiramente consistente com as previs\u00f5es e os repetidos avisos. A \u00fanica surpresa \u00e9 a velocidade da mudan\u00e7a. As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas est\u00e3o aqui. \u00c9 assustador. E \u00e9 apenas o come\u00e7o. A era do aquecimento global terminou; a era da ebuli\u00e7\u00e3o global chegou.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo <a href=\"https:\/\/climate.copernicus.eu\/2023-track-become-warmest-year-after-record-october\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">boletim mensal<\/a> do C3S prev\u00ea que 2023 seja o ano mais quente desde que h\u00e1 registo. A cientista Samantha Burgess, vice-diretora do servi\u00e7o de monitoriza\u00e7\u00e3o, diz que estamos \u201catualmente 1,43\u00baC acima da m\u00e9dia pr\u00e9-industrial\u201d, frisando que a \u201curg\u00eancia de uma a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica ambiciosa na COP28 nunca foi t\u00e3o grande\u201d. A <a href=\"https:\/\/unfccc.int\/cop28\">28.\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas<\/a>, que vai decorrer do dia 30 deste m\u00eas at\u00e9 12 de dezembro no Dubai, \u00e9 o espa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o anual para o qual a comunidade cient\u00edfica olha sempre sem grandes expetativas e da qual sai, ainda assim, desiludida ano ap\u00f3s ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, na sequ\u00eancia do artigo \u201c<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/bioscience\/article\/70\/1\/8\/5610806?login=false\">World Scientists\u2019 Warning of a Climate Emergency<\/a>\u201d, publicado em janeiro de 2020 por cientistas membros da <em>Alliance of World Scientists<\/em> e que j\u00e1 conta com mais de 15.000 assinaturas, uma equipa internacional de 12 cientistas publicou a 24 de outubro <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/bioscience\/advance-article\/doi\/10.1093\/biosci\/biad080\/7319571?login=false\">um novo relat\u00f3rio<\/a> em jeito de atualiza\u00e7\u00e3o. \u201cA vida no planeta Terra est\u00e1 sob cerco\u201d, escrevem logo na abertura. Salientam que a comunidade cient\u00edfica anda a alertar h\u00e1 d\u00e9cadas e que, \u201cinfelizmente, o tempo acabou. Estamos a assistir \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o dessas previs\u00f5es \u00e0 medida que uma sucess\u00e3o alarmante e sem precedentes de recordes clim\u00e1ticos s\u00e3o ultrapassados, provocando o desenrolar de cenas de sofrimento profundamente angustiantes. Estamos a entrar num dom\u00ednio desconhecido no que diz respeito \u00e0 crise clim\u00e1tica, uma situa\u00e7\u00e3o que ningu\u00e9m jamais testemunhou em primeira m\u00e3o na hist\u00f3ria da humanidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs sinais vitais da Terra est\u00e3o a falhar: emiss\u00f5es recorde, inc\u00eandios ferozes, secas mortais e o ano mais quente de sempre. Podemos garantir isto mesmo ainda estando em novembro. Estamos a quil\u00f3metros dos objetivos do Acordo de Paris \u2013 e a poucos minutos da meia-noite para o limite de 1,5 graus. Mas n\u00e3o \u00e9 tarde demais. N\u00f3s podemos \u2013 voc\u00eas podem \u2013 evitar a queda e a queima do planeta. Temos as tecnologias para evitar o pior do caos clim\u00e1tico \u2013 se agirmos agora. O Painel Intergovernamental para as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas tra\u00e7ou um caminho claro para um mundo a 1,5 graus. Mas precisamos de lideran\u00e7a \u2013 coopera\u00e7\u00e3o \u2013 e vontade pol\u00edtica para agir. E precisamos disso agora. \u00c9 verdade, o nosso mundo \u00e9 desigual e est\u00e1 dividido. Como vemos nesta regi\u00e3o, os conflitos est\u00e3o a causar imenso sofrimento e emo\u00e7\u00f5es intensas. Acab\u00e1mos de ouvir as not\u00edcias de que as bombas est\u00e3o a soar outra vez em Gaza. E o caos clim\u00e1tico est\u00e1 a ati\u00e7ar as chamas da injusti\u00e7a. O aquecimento global est\u00e1 a estourar or\u00e7amentos, a aumentar os pre\u00e7os dos alimentos, a alterar os mercados energ\u00e9ticos e a alimentar uma crise no custo de vida. Mas a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica pode virar o interruptor.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Estas foram <a href=\"https:\/\/www.un.org\/sg\/en\/content\/sg\/statement\/2023-12-01\/secretary-generals-remarks-opening-of-world-climate-action-summit-delivered\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as palavras de Ant\u00f3nio Guterres<\/a>, secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, na cerim\u00f3nia que abriu a Cimeira da A\u00e7\u00e3o Clim\u00e1tica de 2023. O evento insere-se na COP28, a 28.\u00aa Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas, que decorre no Dubai desde 30 de setembro e ir\u00e1 terminar na pr\u00f3xima semana a 12 de dezembro. Em outubro, Zeke Hausfather, cientista clim\u00e1tico na Berkeley Earth e autor nos relat\u00f3rios do Painel Intergovernamental para as Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas (IPCC), <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2023\/10\/13\/opinion\/climate-change-excessive-heat-2023.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">escrevia<\/a> que, \u201c\u00e0 medida que as temperaturas globais quebravam recordes e atingiam novos m\u00e1ximos perigosos ao longo dos \u00faltimos meses, eu e os meus colegas cientistas clim\u00e1ticos fomos ficando quase sem adjetivos para descrever o que v\u00edamos\u201d, acrescentando que, \u201cembora muitos especialistas tenham sido cautelosos em reconhec\u00ea-lo, h\u00e1 cada vez mais provas de que o aquecimento global acelerou ao longo dos \u00faltimos 15 anos\u201d, o que implica que \u201cos efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que j\u00e1 estamos a observar \u2013 ondas de calor extremo, inc\u00eandios florestais, precipita\u00e7\u00e3o e subida do n\u00edvel do mar \u2013 s\u00f3 se v\u00e3o agravar nos pr\u00f3ximos anos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, segundo novos estudos como <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41558-023-01848-5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o da <em>Nature Climate Change<\/em><\/a>, a humanidade tem j\u00e1 menos de seis anos para conseguir limitar o aquecimento global a 1,5\u00baC (graus Celsius) acima dos valores pr\u00e9-industriais, porque \u00e9 que as medidas parecem continuar a surgir de forma <a href=\"https:\/\/wmo.int\/news\/media-centre\/2023-shatters-climate-records-major-impacts\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">t\u00e3o lenta e pouco eficaz<\/a>? Se <a href=\"https:\/\/climateclock.world\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">o Rel\u00f3gio do Clima<\/a> continua a fazer a sua contagem decrescente \u2013 e se a humanidade j\u00e1 sabe por onde come\u00e7ar, quais os caminhos a seguir e como podem ser as cidades do futuro, como as partes anteriores desta grande reportagem analisaram \u2013, quais t\u00eam sido os maiores entraves para que o sistema em que vivemos seja repensado e transformado para garantir um futuro <a href=\"https:\/\/time.com\/6152923\/ipcc-climate-change-inequality\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mais sustent\u00e1vel e justo<\/a>?<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os limites das cimeiras e dos acordos<\/h3>\n\n\n\n<p>Numa COP que j\u00e1 se estima bater recordes de participa\u00e7\u00e3o, com 80.000 pessoas inscritas, o apelo do secret\u00e1rio-geral da ONU foi ecoado por muitas das figuras de Estado presentes; no entanto, ainda o evento n\u00e3o tinha come\u00e7ado e as cr\u00edticas j\u00e1 surgiam de todos os lados.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo dia que Ant\u00f3nio Guterres fazia o seu discurso de abertura, <a href=\"https:\/\/www.newsweek.com\/climate-summit-sick-joke-you-should-angry-afraid-opinion-1848719\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Peter Kalmus publicava<\/a>: \u201cAs cimeiras anteriores da ONU obviamente que nos falharam, mas este \u00e9 um novo n\u00edvel. Toda a gente na Terra precisa de saber que a reuni\u00e3o foi invadida por executivos dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, tornando-a numa piada doentia e destruidora do planeta. N\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a real de parar o aquecimento global catastr\u00f3fico at\u00e9 que resolvamos isto\u201d. Porqu\u00ea? \u201cNeste que \u00e9 o ano mais quente da hist\u00f3ria da humanidade, a cimeira do clima est\u00e1 a ser realizada nos Emirados \u00c1rabes Unidos [UAE, na sigla em ingl\u00eas] e presidida por um diretor executivo de combust\u00edveis f\u00f3sseis chamado sult\u00e3o Ahmed Al-Jaber. \u00c9 dif\u00edcil imaginar algo mais c\u00ednico ou mais maligno. E, no entanto, as coisas ficaram mais c\u00ednicas e mais malignas, com as recentes revela\u00e7\u00f5es de que os UAE t\u00eam abusado do seu papel de anfitri\u00e3o para fechar acordos paralelos para expandir os combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, desenvolve o cientista clim\u00e1tico da NASA, que foi entrevistado pelo Gerador para a primeira parte desta grande reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2023\/nov\/27\/cop28-host-uae-planned-promote-oil-deals-climate-talks\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">fuga de documentos<\/a> noticiada a 27 de novembro que Peter Kalmus menciona, chegaram tamb\u00e9m \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2023\/dec\/03\/back-into-caves-cop28-president-dismisses-phase-out-of-fossil-fuels\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">declara\u00e7\u00f5es feitas<\/a> pelo presidente da COP28 num evento decorrido uma semana antes. Nestas, afirmava n\u00e3o existirem bases cient\u00edficas que comprovem a liga\u00e7\u00e3o entre a elimina\u00e7\u00e3o progressiva dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e a limita\u00e7\u00e3o das temperaturas globais dentro dos par\u00e2metros do Acordo de Paris, referindo ainda que a elimina\u00e7\u00e3o destes combust\u00edveis levaria \u201co mundo de volta \u00e0s cavernas\u201d. \u201cEnquanto cientista clim\u00e1tico, estou chocado, frustrado e enojado. Estou a perder a minha f\u00e9 na humanidade. Tudo isto deveria ser \u00f3bvio para todos. Ter de escrever isto vez atr\u00e1s de vez \u00e9 profundamente doloroso. No final de contas, se pararmos um pouco para pensar sobre isto, nada \u00e9 mais importante do que um planeta habit\u00e1vel. Tudo o resto \u2013 todas as esperan\u00e7as, sonhos e aspira\u00e7\u00f5es da humanidade, toda a nossa felicidade, amor e crescimento \u2013 depende disso\u201d, conclui Peter Kalmus.<\/p>\n\n\n\n<p>Susana Viseu, consultora da presid\u00eancia da Rep\u00fablica Portuguesa (para temas como a transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, ambiente, oceanos, energia, ordenamento do territ\u00f3rio e desenvolvimento do interior), acredita que \u201ch\u00e1 grandes desafios nestas quest\u00f5es, que s\u00e3o quest\u00f5es globais\u201d. Em entrevista ao Gerador, lamenta que, logo \u00e0 partida, os acordos feitos tenham um car\u00e1ter muito pouco vinculativo. \u201cMesmo o Acordo de Paris \u00e9 um acordo de princ\u00edpios, onde foram estabelecidas metas que foram acordadas pelos diferentes estados-membros, mas para as quais n\u00e3o h\u00e1 nenhuma penaliza\u00e7\u00e3o se n\u00e3o forem cumpridas\u201d, aponta. \u201cEnquanto os v\u00e1rios estados-membros n\u00e3o passarem para a sua lei nacional as metas e n\u00e3o as assumirem realmente\u201d \u2013 o que j\u00e1 aconteceu em Portugal, com a Lei de Bases do Clima, e noutros pa\u00edses, \u201cmas na grande maioria n\u00e3o\u201d \u2013, \u201cn\u00e3o acontece nada a nenhum desses pa\u00edses se n\u00e3o as cumprirem\u201d. \u201cComo tudo aquilo que n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio e \u00e9 de car\u00e1ter meramente volunt\u00e1rio, sobretudo quando falamos em metas que t\u00eam uma implica\u00e7\u00e3o muito grande ao n\u00edvel das economias, se as metas n\u00e3o s\u00e3o assumidas como obrigat\u00f3rias, se s\u00f3 se cria um plano de a\u00e7\u00e3o para as concretizar, elas n\u00e3o v\u00e3o passar do papel.\u201d Defende, assim, que \u201c\u00e9 muito importante continuar a fazer press\u00e3o para que se passe das palavras aos atos, porque realmente j\u00e1 n\u00e3o temos tempo para continuar com grandes discuss\u00f5es e com falta de a\u00e7\u00e3o no terreno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o Gerador entrou em contacto com a ZERO (Associa\u00e7\u00e3o Sistema Terrestre Sustent\u00e1vel), o seu presidente, Francisco Ferreira, regressava de Bruxelas, onde esteve em eventos preparat\u00f3rios da cimeira da ONU. Num <a href=\"https:\/\/zero.ong\/noticias\/progressos-na-cop28-sao-fundamentais-para-cumprir-o-acordo-de-paris\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">documento<\/a> na altura partilhado com o Gerador, a ZERO apontava seis temas fundamentais para esta COP: o balan\u00e7o dos esfor\u00e7os clim\u00e1ticos (a chamada <em><a href=\"https:\/\/unfccc.int\/topics\/global-stocktake?gclid=Cj0KCQiA67CrBhC1ARIsACKAa8R-XHwNkLOqPY-y1iizAToJ4Df2Kk61n_5_l7t2STdE_cHEcoAGvrsaAtZJEALw_wcB\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Global Stocktake<\/a><\/em>, avalia\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica exigida pelo Acordo de Paris); a mitiga\u00e7\u00e3o, que inclui a elimina\u00e7\u00e3o progressiva dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e a expans\u00e3o das energias renov\u00e1veis e da efici\u00eancia energ\u00e9tica; o financiamento clim\u00e1tico e a transforma\u00e7\u00e3o do sistema financeiro; a adapta\u00e7\u00e3o, nas suas mais diversas formas; as perdas e os danos; a alimenta\u00e7\u00e3o e a agricultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Islene Fa\u00e7anha, diretora de projetos da associa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m participa no evento no Dubai. Ao conversar com o Gerador dois dias antes do in\u00edcio da COP, diz ser \u201cum bocado cr\u00edtica\u201d destas cimeiras da ONU. \u201cEsta \u00e9 uma opini\u00e3o muito pessoal\u201d (ou seja, n\u00e3o representa necessariamente a vis\u00e3o da ZERO), \u201cmas, ainda assim, \u00e9 uma vis\u00e3o partilhada, que \u00e9: a COP deveria ter uma reestrutura\u00e7\u00e3o muito grande. Precis\u00e1vamos de ter mais atores que possam contribuir para as negocia\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o ter s\u00f3, por exemplo, pa\u00edses, mas tamb\u00e9m mais representantes da sociedade civil, e que estivessem presentes muito mais tempo nas negocia\u00e7\u00f5es. At\u00e9 porque muitos dos pa\u00edses, principalmente os mais desenvolvidos, influenciam at\u00e9 na linguagem dos documentos, e podem desacelerar o que deveria ser muito mais r\u00e1pido na implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas. E isso \u00e9 uma barreira at\u00e9 para o avan\u00e7o das a\u00e7\u00f5es nacionais, porque, por exemplo, decis\u00f5es tomadas no \u00e2mbito de encontros de alto n\u00edvel como este fazem uma diferen\u00e7a enorme nas a\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses em desenvolvimento, que precisam de fundos at\u00e9 para a transi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa falta de justi\u00e7a nas pr\u00f3prias cimeiras constitui \u201cuma barreira muito grande\u201d, \u201cal\u00e9m de que tamb\u00e9m h\u00e1 a quest\u00e3o das agendas pol\u00edticas\u201d, com os governos a mudarem regularmente nos pa\u00edses envolvidos e mesmo as trocas entre os pa\u00edses nos mandatos, \u201ce isso tamb\u00e9m p\u00f5e em causa as negocia\u00e7\u00f5es, principalmente quando s\u00e3o partidos que afetam o avan\u00e7o dos debates em agenda, como tem sido agora o ciclo da extrema-direita\u201d. Esta \u201clentid\u00e3o\u201d a n\u00edvel internacional \u00e9 apontada como \u201cmuito prejudicial para a nossa implementa\u00e7\u00e3o a n\u00edvel nacional\u201d.<br \/>No fundo, estas dificuldades funcionam em bola de neve: a comunidade cient\u00edfica prepara o terreno para as negocia\u00e7\u00f5es, contribuindo com <a href=\"https:\/\/wmo.int\/news\/media-centre\/2023-shatters-climate-records-major-impacts\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rios de avalia\u00e7\u00e3o<\/a> e propondo a aprova\u00e7\u00e3o de medidas (cuja implementa\u00e7\u00e3o j\u00e1 ser\u00e1 sempre demorada ap\u00f3s a sua aprova\u00e7\u00e3o), e, ainda assim, as vers\u00f5es finais dos textos ficam sempre aqu\u00e9m das recomenda\u00e7\u00f5es iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, \u201cmuitas coisas est\u00e3o a avan\u00e7ar\u201d, embora Islene Fa\u00e7anha considere que \u201co sucesso das COP aconteceu no seu in\u00edcio, quando foram realizados acordos como o Protocolo de Quioto\u201d. J\u00e1 este ano, \u201cuma conversa muito importante \u2013 e que apresenta uma oportunidade at\u00e9 para corrigirmos esse rumo de instabilidade que temos na a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica \u2013 \u00e9 a quest\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o global, o <em>Global Stocktake<\/em>. Vamos finalmente poder avaliar como \u00e9 que os pa\u00edses est\u00e3o, se est\u00e3o mais alinhados com o Acordo de Paris ou se est\u00e3o muito longe (embora j\u00e1 tenhamos percebido at\u00e9 pelos \u00faltimos relat\u00f3rios relativos \u00e0s emiss\u00f5es que estamos desalinhados com a meta de 1,5\u00baC, com previs\u00f5es de 2,5, 2,9, ali a chegar quase aos 3)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desses dados, Islene Fa\u00e7anha espera que seja poss\u00edvel identificar \u201cpontos de fragilidade a serem trabalhados at\u00e9 \u00e0 COP do Brasil, que vai ser daqui a dois anos\u201d. Nessa que ser\u00e1 a 30.\u00aa COP, v\u00e3o ser reavaliadas as Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas (as NDC), de forma a haver \u201cum ajuste do trabalho, porque os impactos clim\u00e1ticos est\u00e3o a criar mais vulnerabilidades, desigualdades, e a privar muitas pessoas de uma vida com dignidade. \u00c9 mesmo muito urgente conseguirmos avan\u00e7ar com a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, principalmente no Sul Global, porque s\u00e3o as pessoas que menos contribu\u00edram para a crise clim\u00e1tica que t\u00eam de pagar as consequ\u00eancias dessa a\u00e7\u00e3o destrutiva. E as emiss\u00f5es continuam a aumentar, n\u00e3o vemos aqui um desacelerar de emiss\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 com esse balan\u00e7o global, a diretora de projetos da Zero prev\u00ea que esta v\u00e1 ser \u201cuma COP de reflex\u00e3o, e tamb\u00e9m vai ser interessante perceber a posi\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses desenvolvidos, se v\u00e3o mesmo avan\u00e7ar com as contribui\u00e7\u00f5es por fundos, porque a Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 tinha confirmado que estava dispon\u00edvel para contribuir, e que, at\u00e9 al\u00e9m do financiamento do <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2023\/11\/1824147\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fundo de Perdas e Danos<\/a>, tamb\u00e9m ia ajudar com a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica nos pa\u00edses de desenvolvimento, e os Estados Unidos tamb\u00e9m\u201d. E este \u00e9 outro ponto interessante: \u201cos pa\u00edses que s\u00e3o cruciais n\u00e3o v\u00e3o ter os seus chefes de Estado presentes, que s\u00e3o os Estados Unidos e a China\u201d. Juntos, os dois pa\u00edses representam <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2023\/07\/19\/climate\/us-china-climate-issues.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">quase 40% das emiss\u00f5es<\/a> de gases com efeito de estufa antropog\u00e9nicas. E, no entanto, onde n\u00e3o est\u00e3o presentes os maiores emissores, est\u00e3o os combust\u00edveis f\u00f3sseis. Islene Fa\u00e7anha salienta que \u201cna \u00faltima COP foram enviados 637 delegados representantes dos <em>lobbies<\/em> de combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d. Alerta ainda que \u00e9 poss\u00edvel que este ano o desequil\u00edbrio seja ainda maior, j\u00e1 que \u201ca sociedade civil teve problemas a chegar ao Dubai \u2013 \u00e9 um lugar muito mais caro, muito mais distante, e muitas das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem chegar l\u00e1\u201d. \u201cDevemos todos ter muita aten\u00e7\u00e3o ao que vai acontecer, at\u00e9 para n\u00e3o dar espa\u00e7o \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es laterais, n\u00e3o em prol da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, mas em prol da expans\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista em altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e pol\u00edticas de desenvolvimento sustent\u00e1vel refor\u00e7a ainda a necessidade de todas as institui\u00e7\u00f5es deverem regularmente \u201crepensar os seus objetivos, e ainda n\u00e3o se fez isso com a Confer\u00eancia das Partes, nem at\u00e9 com a pr\u00f3pria estrutura da ONU. E destaca: \u201cestamos noutros tempos, devia-se repensar a estrutura e os procedimentos. Tudo isto ajudaria a voltar a ganhar confian\u00e7a das pessoas nestas institui\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"1024\" width=\"1024\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gerador.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/parte4_REPENSAR_SISTEMA_conflitos-agenda-1024x1024.webp?resize=1024%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-183034\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Que agendas pol\u00edticas?<\/h3>\n\n\n\n<p>Islene Fa\u00e7anha considera que \u201cuma das maiores barreiras \u00e9 a vontade pol\u00edtica\u201d, referindo-se aos obst\u00e1culos \u00e0s mudan\u00e7as de paradigma, e que esta barreira funciona a dois n\u00edveis diferentes. Por um lado, os ciclos governativos, com as altera\u00e7\u00f5es de mandatos, tornam \u201cdif\u00edcil manter a continuidade do trabalho na \u00e1rea ambiental (n\u00e3o s\u00f3, o mesmo se aplica a v\u00e1rias outras \u00e1reas tamb\u00e9m)\u201d, bem como os constantes per\u00edodos de campanha eleitoral. \u201c\u00c9 um bocado complicado conseguir influenciar no \u00e2mbito destas altera\u00e7\u00f5es, como a que estamos a atravessar em Portugal agora com a crise pol\u00edtica, e tamb\u00e9m no n\u00edvel mais macro, j\u00e1 que a n\u00edvel europeu tamb\u00e9m vai haver elei\u00e7\u00f5es no pr\u00f3ximo ano.\u201d Tudo isto afeta \u201cporque \u00e9 quase como se fosse uma interrup\u00e7\u00e3o da linha de pensamento, estamos a trabalhar em algo e de repente j\u00e1 n\u00e3o conseguimos falar com ningu\u00e9m\u201d. Por outro lado, e ainda assim, \u201co grande obst\u00e1culo a n\u00edvel de decisores pol\u00edticos \u00e9 que as agendas pol\u00edticas n\u00e3o est\u00e3o inclinadas para aquilo que realmente necessitamos. Como representantes da popula\u00e7\u00e3o, deveriam estar atentos \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o e ao nosso futuro comum. Temos de estar sempre a pressionar \u2013 o que tamb\u00e9m \u00e9 o nosso papel enquanto sociedade civil \u2013, porque a nossa janela de oportunidade est\u00e1 mesmo a fechar-se. E j\u00e1 vemos que, caso as pol\u00edticas continuem <em>business as usual<\/em>, sem nenhuma altera\u00e7\u00e3o em prol da a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, vamos chegar aos 3 graus de temperatura\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista ao Gerador, Jo\u00e3o Costa, ativista pela justi\u00e7a clim\u00e1tica (com atividade na associa\u00e7\u00e3o Academia Cidad\u00e3, entre v\u00e1rios outros movimentos e organiza\u00e7\u00f5es), defende que \u201co problema \u00e9 demasiado simples dentro da complexidade que tem\u201d. \u201cPorque \u00e9 que estamos a falar tanto de infla\u00e7\u00e3o e defla\u00e7\u00e3o? As pessoas dizem palavras que nem sabem o que significam, at\u00e9 porque na verdade n\u00e3o significam nada, s\u00e3o s\u00f3 constru\u00e7\u00f5es humanas. Vamos organizarmo-nos para que toda a gente tenha comida, para que toda a gente tenha casa, para que toda a gente tenha tudo o que precisa de b\u00e1sico para sobreviver. E depois a partir da\u00ed logo se v\u00ea.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O ativista salienta que as pessoas dedicam a sua vida a \u201ctrabalhar para um sistema que nem sequer tem como objetivo final que todas as pessoas do mundo tenham comida na mesa\u201d \u2013 e alimentos n\u00e3o faltam, \u201cmetade do mundo desperdi\u00e7a comida e a outra metade morre \u00e0 fome (em n\u00fameros muito gerais, claro)\u201d. Jo\u00e3o Costa recorda uma cita\u00e7\u00e3o (\u201cse eu quero alimentar algu\u00e9m na rua, sou um anjo, mas se reclamo que ningu\u00e9m devia passar fome, sou um comunista\u201d) para expor que o sistema em que vivemos \u201c\u00e9 altamente ideol\u00f3gico, e quando se p\u00f5e em causa o sistema \u00e9-se acusado de ser extremista. As pessoas falam como se o sistema fosse neutro, mas n\u00e3o \u00e9: \u00e9 altamente ideol\u00f3gico e no sentido errado. O sistema em que vivemos, independentemente do nome que tenha, \u00e9 doentio e macabro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Linha Vermelha, um dos projetos onde trabalha, dedica uma das suas p\u00e1ginas a <a href=\"https:\/\/linhavermelha.org\/entender\/solucoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">solu\u00e7\u00f5es para o futuro<\/a>. \u201cNeste momento\u201d, descreve Jo\u00e3o Costa, \u201cainda temos as finan\u00e7as e a economia no cimo de tudo, e s\u00f3 depois \u00e9 que est\u00e3o as pessoas, os seres vivos e o planeta\u201d. \u201cVamos mudar esta ordem, p\u00f4r as pessoas, os seres vivos e o planeta no centro\u201d, defende, acrescentando que \u201ca mudan\u00e7a que temos de fazer, ainda que profunda, \u00e9 t\u00e3o simples\u201d. No seu entender, os portugueses \u201cacham que vivemos em democracia, mas n\u00e3o, n\u00f3s vivemos em capitalismo, porque n\u00e3o h\u00e1 democracia nenhuma em que a conversa n\u00e3o se centre em dinheiro\u201d. Do seu ponto de vista, o debate pol\u00edtico n\u00e3o quer saber de \u201ccriar postos de trabalho para incentivar certas ind\u00fastrias, para incentivar certo tipo de benef\u00edcios para as popula\u00e7\u00f5es, ou para proteger certas zonas do pa\u00eds\u201d: \u201cn\u00e3o tem nada a ver com estrat\u00e9gia nem planeamento, tem a ver com milh\u00f5es de euros\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das narrativas do Clim\u00e1ximo \u00e9, precisamente, \u2018eles desistiram da democracia\u2019, lembra o ativista. Mas \u201cdemocracia \u00e9 o qu\u00ea?\u201d, reflete, \u201cvotar em pessoas que chegam ao poder e, ou n\u00e3o podem, ou n\u00e3o querem, fazer aquilo que supostamente deviam fazer?\u201d Assim, \u201cprecisamos de aceitar que n\u00e3o vivemos em democracia e, depois, fazermos com que a democracia se sobreponha ao sistema econ\u00f3mico e financeiro\u201d. Para tentar exemplificar a dimens\u00e3o do que defende, nota que \u201cas emiss\u00f5es de cada portugu\u00eas, em m\u00e9dia, s\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.pordata.pt\/portugal\/emissoes+de+gases+por+habitante-1256\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">entre 4 e 5 toneladas<\/a> de di\u00f3xido de carbono por ano\u201d e que \u201ctemos de <a href=\"https:\/\/glasgowagreement.net\/inventories\/PT\/Inventario_PT_Acordo_Glasgow_Relatorio.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">cortar \u00e0 volta de 75%<\/a> das emiss\u00f5es at\u00e9 2030\u201d; no entanto, s\u00f3 \u201c<a href=\"https:\/\/zero.ong\/noticias\/top10-dos-poluidores-em-portugal-aumenta-18-por-cento-as-emissoes-em-2022\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a refinaria de Sines<\/a>, que \u00e9 pequenina a n\u00edvel mundial, emite num ano mais do que 8 mil portugueses em 80 anos\u201d. O ativista considera que \u201co n\u00edvel da escala do problema \u00e9 muito maior do que aquilo que as pessoas possam imaginar\u201d, e tamb\u00e9m \u00e9 muito acima da escala \u201cdo que a maioria das pessoas faz no seu dia a dia\u201d. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d \u2013 e \u00e9 necess\u00e1rio haver medidas vinculativas e vontade pol\u00edtica real para se conseguir mudar alguma coisa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O que fazer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s desigualdades e injusti\u00e7as?<\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cUm dos grandes desafios prende-se com as diferentes velocidades que os pa\u00edses t\u00eam ao n\u00edvel de desenvolvimento, e n\u00f3s temos tend\u00eancia, naquilo que \u00e9 chamado o Norte Global, a esquecer que o mundo tem muitas realidades\u201d, salienta a consultora da presid\u00eancia da Rep\u00fablica Portuguesa, Susana Viseu. \u201cAinda h\u00e1 uma quantidade enorme de pessoas a viver em situa\u00e7\u00f5es sem acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel, sem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de habitabilidade, muitas vezes sem acesso a alimenta\u00e7\u00e3o, que vive em situa\u00e7\u00e3o de pobreza extrema e, portanto, n\u00e3o podemos esquecer que a grande prioridade t\u00eam de ser as pessoas e tem de ser o combate \u00e0 pobreza.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados confirmam a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Mark Maslin, investigador em climatologia e ci\u00eancias ambientais e entrevistado pelo Gerador para a terceira parte desta grande reportagem, aponta no livro <a href=\"https:\/\/www.penguin.co.uk\/books\/320155\/how-to-save-our-planet-by-maslin-mark\/9780241472521\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>How To Save Our Planet: The Facts<\/em><\/a> que, das 8 mil milh\u00f5es de pessoas vivas neste momento, 780 milh\u00f5es vivem com menos de 1,90 d\u00f3lares por dia e 4,5 mil milh\u00f5es vivem com menos de 10. Enquanto os americanos gastam menos de 10% do seu rendimento em alimenta\u00e7\u00e3o, as pessoas mais pobres dos pa\u00edses em desenvolvimento podem gastar at\u00e9 80%. Produzimos alimentos suficientes para alimentar 11 mil milh\u00f5es de pessoas e, no entanto, 825 milh\u00f5es n\u00e3o t\u00eam acesso a alimentos suficientes e todos os anos 7 milh\u00f5es de crian\u00e7as morrem de fome e de doen\u00e7as evit\u00e1veis. Um oitavo da popula\u00e7\u00e3o mundial, quase mil milh\u00f5es de pessoas, vive sem eletricidade, h\u00e1 mais de <a href=\"https:\/\/www.unesco.org\/reports\/wwdr\/2023\/en\/download\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">3,6 mil milh\u00f5es de pessoas em todo o mundo<\/a> que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de saneamento em casa, e 2 mil milh\u00f5es n\u00e3o t\u00eam acesso a \u00e1gua limpa e segura para consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMesmo em Portugal temos dois milh\u00f5es de pobres\u201d, lembra a consultora da presid\u00eancia da Rep\u00fablica Portuguesa, \u201ce essa tem de ser, de facto, a grande prioridade \u2013 at\u00e9 porque, enquanto existirem pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza e de car\u00eancia extrema, nunca conseguiremos convencer essas pessoas a poderem abrir-se a causas como a clim\u00e1tica. As pessoas n\u00e3o v\u00e3o perceber do que estamos a falar quando n\u00e3o t\u00eam o que comer, quando os filhos n\u00e3o t\u00eam escola, quando n\u00e3o t\u00eam cuidados de sa\u00fade. H\u00e1 coisas que s\u00e3o b\u00e1sicas e que t\u00eam de ser respondidas antes de haver disponibilidade para ouvir esta mensagem\u201d. Tal como Islene Fa\u00e7anha, Susana Viseu tamb\u00e9m refere que \u201cisto passa muito pela coopera\u00e7\u00e3o multilateral, com o Norte, os pa\u00edses mais desenvolvidos, que, no fundo, s\u00e3o os respons\u00e1veis hist\u00f3ricos pelo planeta ter excedido a sua capacidade de carga e estarmos neste momento numa situa\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio do nosso sistema terrestre, a ter a responsabilidade de ajudar os outros pa\u00edses a fazer o seu desenvolvimento de uma forma mais sustent\u00e1vel. E isto faz-se atrav\u00e9s de financiamento, e faz-se atrav\u00e9s de transfer\u00eancia de tecnologia e de apoio t\u00e9cnico a esses pa\u00edses\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Islene Fa\u00e7anha destaca que vai haver, pela primeira vez, uma \u00e1rea dedicada \u00e0 justi\u00e7a clim\u00e1tica na COP, \u201cum primeiro <em>hub<\/em> privilegiado para as pessoas convocarem negociadores e pa\u00edses a participarem nessas conversas\u201d. A justi\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9, \u201cde uma forma muito simples, trazer justi\u00e7a para esses pa\u00edses que contribu\u00edram pouco para a crise clim\u00e1tica em que estamos, e que come\u00e7aram um trabalho muito forte de advocacia at\u00e9 para a cria\u00e7\u00e3o do Fundo de Perdas e Danos, que vai ser um dos pontos principais nesta COP28 (e que j\u00e1 teve uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica tamb\u00e9m na COP27)\u201d. E, como aponta Jo\u00e3o Costa, \u201cas emiss\u00f5es tamb\u00e9m t\u00eam este n\u00edvel de desigualdade: 50% das emiss\u00f5es de todo o mundo s\u00e3o feitas por 10% da popula\u00e7\u00e3o mais rica, e os 50% da popula\u00e7\u00e3o mais pobre s\u00f3 fazem 10% das emiss\u00f5es\u201d. Um relat\u00f3rio de novembro da Oxfam, intitulado <a href=\"https:\/\/policy-practice.oxfam.org\/resources\/climate-equality-a-planet-for-the-99-621551\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Climate Equality: A planet for the 99%<\/em><\/a>, conclui que os 1% mais ricos s\u00e3o respons\u00e1veis por mais emiss\u00f5es do que os 66% mais pobres.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dos movimentos de ativismo clim\u00e1tico \u2013 como a Extinction Rebellion, a Scientist Rebellion e a Fridays for Future \u2013, a terminologia <em>Most Affected Peoples and Areas<\/em> come\u00e7ou a ser utilizada para designar, precisamente, as \u00e1reas e os povos mais afetados pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, come\u00e7ando a surgir grupos de trabalho MAPA dedicados a estas realidades. Em Portugal, o Encontro Nacional pela Justi\u00e7a Clim\u00e1tica realiza-se anualmente. Este ano decorreu em fevereiro em Coimbra, e para o pr\u00f3ximo ano tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 tudo planeado, mas por agora \u201cainda \u00e9 surpresa\u201d, diz Islene Fa\u00e7anha.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"300\" width=\"300\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gerador.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/parte4_REPENSAR_SISTEMA_desigualdade-300x300.webp?resize=300%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-183035\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Os multimilion\u00e1rios e os combust\u00edveis f\u00f3sseis<\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cAs altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o um problema muito espec\u00edfico, e as pessoas tendem a perder-se. O problema s\u00e3o gases com efeito de estufa na atmosfera do planeta em excesso. N\u00e3o tem nada a ver com \u00e1rvores, n\u00e3o tem nada a ver com reciclagem, n\u00e3o tem nada a ver com aquilo que as pessoas acham que tem a ver, nem \u00e9 ambientalismo\u201d, afirma Jo\u00e3o Costa. Da mesma forma, o ativista esclarece que \u201co problema das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas \u00e9 uma coisa e o problema ecol\u00f3gico \u00e9 outro. Interligam-se, comunicam entre si, mas s\u00e3o problemas completamente diferentes\u201d. Por um lado, \u201cas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas exp\u00f5em o problema do sistema em que vivemos, que explora pessoas, animais e planetas sem qualquer tipo de controlo e sem respeitar a capacidade de regenera\u00e7\u00e3o do planeta\u201d; por outro, \u201ca quest\u00e3o ecol\u00f3gica existe por causa do extrativismo, da extra\u00e7\u00e3o de qualquer tipo do que eles chamam recursos\u201d. Ora, este extrativismo desenfreado \u201cs\u00f3 existe porque existe energia a pre\u00e7os artificialmente baratos\u201d, o que, por sua vez, \u201cs\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque as empresas de combust\u00edveis f\u00f3sseis recebem a n\u00edvel global <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2023\/aug\/24\/fossil-fuel-subsidies-imf-report-climate-crisis-oil-gas-coal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">13 milh\u00f5es de d\u00f3lares por minuto<\/a> em subs\u00eddios p\u00fablicos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na investiga\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/onezero.medium.com\/survival-of-the-richest-9ef6cddd0cc1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Survival of the Richest: Escape Fantasies of the Tech Billionaires<\/em><\/a>, Douglas Rushkoff escreve: \u201cSeguindo o exemplo do fundador da Tesla, Elon Musk, a colonizar Marte, de Peter Thiel, da Palantir, a reverter o processo de envelhecimento, ou dos fomentadores de intelig\u00eancia artificial Sam Altman e Ray Kurzweil a carregarem as suas mentes para supercomputadores, eles estavam a preparar-se para um futuro digital que tinha menos que ver com fazer o mundo um lugar melhor do que transcender completamente a condi\u00e7\u00e3o humana. A sua riqueza e o privil\u00e9gio extremos serviram apenas para os tornar obcecados em isolar-se do perigo bem real e presente das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, da subida do n\u00edvel do mar, das migra\u00e7\u00f5es em massa, das pandemias globais, do p\u00e2nico nativista e do esgotamento de recursos. Para eles, o futuro da tecnologia envolve apenas uma coisa: escapar do resto de n\u00f3s. Estas pessoas em tempos inundaram o mundo com planos de neg\u00f3cios impensadamente otimistas sobre como a tecnologia poderia beneficiar a sociedade humana. Agora, reduziram o progresso tecnol\u00f3gico a um videojogo em que um deles vence ao encontrar a sa\u00edda de emerg\u00eancia. Ser\u00e1 Bezos a migrar para o espa\u00e7o, Thiel para o seu <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/news\/2018\/feb\/15\/why-silicon-valley-billionaires-are-prepping-for-the-apocalypse-in-new-zealand\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">complexo na Nova Zel\u00e2ndia<\/a> ou Zuckerberg para o seu <em>metaverso<\/em> virtual? E estes multimilion\u00e1rios catastrofistas s\u00e3o os presum\u00edveis vencedores da economia digital \u2013 os supostos campe\u00f5es do cen\u00e1rio empresarial de sobreviv\u00eancia dos mais aptos que, para come\u00e7ar, est\u00e1 a alimentar a maior parte desta especula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esta tend\u00eancia \u00e0 volta da qual o autor, documentarista e investigador desenvolveu o seu livro (do qual o ensaio original foi inclu\u00eddo no manual da Extinction Rebellion,<em> This Is Not A Drill: An Extinction Rebellion Handbook<\/em>, publicado em 2019) j\u00e1 se tem vindo a verificar h\u00e1 uns anos: os 1% mais ricos est\u00e3o desesperadamente a tentar contornar o colapso da civiliza\u00e7\u00e3o humana \u2013 e recusam-se a assumir qualquer tipo de responsabilidade. \u201cEu percebo, e acho que 99% das pessoas do Clim\u00e1ximo tamb\u00e9m percebe, que as pessoas olhem para a narrativa do coletivo e n\u00e3o a compreendam, que achem que est\u00e1 tudo muito desfasado da realidade e que sintam que somos todos malucos\u201d, diz Jo\u00e3o Costa. E, no entanto, \u201cos <em>bunkers<\/em> de luxo j\u00e1 s\u00e3o um mercado. Os multimilion\u00e1rios est\u00e3o a preparar-se para que zonas do planeta fiquem inabit\u00e1veis e eles j\u00e1 saibam para onde ir. Daqui a 20 anos, por exemplo, Portugal vai ter 10 vagas de calor por ano. E depois, o que \u00e9 que causa revoltas sociais? Falta de comida. Se j\u00e1 existe fome, mesmo n\u00e3o havendo falta de comida, ent\u00e3o, imaginemos quando as rotas de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de comida forem afetadas a s\u00e9rio. Quer queiramos quer n\u00e3o, isto vai resultar em duas coisas, que \u00e9 guerras civis, e noutra coisa que \u00e9 dif\u00edcil as pessoas percecionarem, que \u00e9 os partidos fascistas a crescer em todo lado como resposta \u00e0s migra\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Se com <a href=\"https:\/\/www.europarl.europa.eu\/RegData\/etudes\/BRIE\/2021\/698753\/EPRS_BRI(2021)698753_EN.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">32,6 milh\u00f5es de refugiados clim\u00e1ticos<\/a> estimados para 2022, \u201cj\u00e1 existe disto, imaginemos o que vai acontecer com 2 graus de aquecimento, com n\u00fameros de refugiados umas 10 vezes maiores, ou com 3 graus de aquecimento, com n\u00fameros inimagin\u00e1veis de refugiados por todo o mundo\u201d. \u201cE se \u00e9 para falar de injusti\u00e7as associadas \u00e0 crise clim\u00e1tica, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o falar dos jatos privados\u201d, destaca ainda o ativista. \u201cO n\u00famero de jatos privados duplicou de 2021 para 2022, 40% das viagens dos jatos privados s\u00e3o feitas com eles vazios (que \u00e9 quando v\u00e3o buscar as pessoas), 24% dos voos em 2022 fizeram uma dist\u00e2ncia entre 250 e 500 quil\u00f3metros e, em m\u00e9dia, uma viagem de um jato privado \u00e9 igual \u00e0s emiss\u00f5es de uma fam\u00edlia num ano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As empresas de combust\u00edveis f\u00f3sseis, \u201cquando come\u00e7aram a perceber que era imposs\u00edvel continuar a negar, come\u00e7aram a colocar a responsabilidade nas pessoas, e assim nasceu o conceito da pegada de carbono\u201d, mas os n\u00fameros refor\u00e7am que \u201cesta \u00e9 uma quest\u00e3o coletiva e de organiza\u00e7\u00e3o da sociedade\u201d. Quando estas empresas continuam a <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/science.abk0063\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">espalhar mentiras<\/a>, a <a href=\"https:\/\/www.greenpeace.org\/international\/press-release\/63522\/shell-hits-greenpeace-with-intimidation-lawsuit-threatening-8-6m-damages-claim-and-protest-ban-to-silence-climate-demands\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">atacar quem lhe aponta culpa<\/a> e a fazer de tudo para manterem a sua atividade, \u201ccomo \u00e9 que elas v\u00e3o abdicar desse poder? E se este neg\u00f3cio est\u00e1 na base de tudo, ou seja, tudo funciona \u00e0 velocidade que funciona porque existe energia por todo o lado, como \u00e9 que acabamos com este poder, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/C0PpkQrgb0r\/?hl=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">se este poder influencia tudo<\/a>?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Uma ind\u00fastria que recebe 13 milh\u00f5es de d\u00f3lares por minuto \u201cn\u00e3o vai abdicar desses 13 milh\u00f5es de d\u00f3lares por minuto\u201d. Ainda para mais, \u201cestas empresas v\u00e3o querer dominar a ind\u00fastria das energias renov\u00e1veis\u201d. Este processo j\u00e1 est\u00e1 a acontecer: \u201cprimeiro, v\u00e3o querer atras\u00e1-la, e depois v\u00e3o querer domin\u00e1-la, para ela n\u00e3o ser descentralizada\u201d. \u201cA coisa boa das energias renov\u00e1veis \u00e9 que a energia est\u00e1 em todo o lado, e as pessoas podem ter pain\u00e9is solares e mini e\u00f3licas em casa, e ter as casas muito bem isoladas para n\u00e3o terem de consumir muita energia\u201d, explica Jo\u00e3o Costa. \u201cTudo isto \u00e9 uma quest\u00e3o de poder, e as mudan\u00e7as, sejam elas quais forem, se n\u00e3o abalarem o poder, n\u00e3o est\u00e3o a mudar nada.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"300\" width=\"300\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gerador.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/parte4_REPENSAR_SISTEMA_combustiveis-300x300.webp?resize=300%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-183036\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Que modelo econ\u00f3mico?<\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cObviamente que se cruza tudo, e, se estamos a falar <a href=\"https:\/\/icaruscomplexmagazine.com\/five-alternative-economic-models\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">alternativas<\/a> ao capitalismo, estamos a falar de uma outra sociedade, em que o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, aos bens b\u00e1sicos, tem de estar antes de tudo o resto. Para as pessoas \u00e9 muito dif\u00edcil imaginar uma alternativa ao capitalismo \u2013 ali\u00e1s, foi uma das estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o e de implanta\u00e7\u00e3o do sistema, a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 alternativa e de que as pessoas t\u00eam de se cingir ao que existe\u201d, analisa Jo\u00e3o Costa. O ativista recomenda <em>This Changes Everything: Capitalism vs. the Climate<\/em>, livro da economista Naomi Klein, por explicar \u201cmuito bem porque \u00e9 que \u00e9 imposs\u00edvel resolver a crise clim\u00e1tica em capitalismo, pelo menos de uma maneira justa\u201d. De uma perspetiva do Acordo de Paris, \u2018resolver a crise clim\u00e1tica\u2019 implicaria limitar o aquecimento global a 1,5\u00baC (graus Celsius) acima dos valores pr\u00e9-industriais, \u201ce tudo indica que isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\u201d, tendo em conta os <a href=\"https:\/\/www.unep.org\/resources\/emissions-gap-report-2023\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00faltimos relat\u00f3rios de avalia\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O ativista apresenta v\u00e1rios dos mecanismos que mant\u00eam o sistema a funcionar atualmente. \u201cExiste o mundo da economia, do dinheiro que a gente v\u00ea, e mesmo que seja uma coisa inventada por n\u00f3s, o dinheiro nas nossas contas e nas nossas m\u00e3os, \u00e9 uma coisa minimamente real dentro da ilus\u00e3o\u201d, come\u00e7a. \u201cMas depois existe a bolsa, os mercados financeiros, essas coisas todas. A finan\u00e7a que n\u00e3o passa de uma ilus\u00e3o, e que \u00e9 o que manda em tudo. As empresas extrativistas t\u00eam os seus ativos, que correspondem maioritariamente ao que est\u00e3o a explorar: as reservas de combust\u00edveis f\u00f3sseis. No seu balan\u00e7o contabil\u00edstico, t\u00eam aquelas que j\u00e1 est\u00e3o a ser exploradas (as que s\u00e3o a sua fonte de lucro) e as que ainda n\u00e3o est\u00e3o a explorar (mas para as quais j\u00e1 t\u00eam licen\u00e7as ou est\u00e3o a caminho de ter licen\u00e7as)\u201d, continua. Ora, mas para n\u00e3o ultrapassar os 1,5\u00baC de aquecimento, \u201c40% das reservas que j\u00e1 est\u00e3o a ser exploradas t\u00eam de ficar debaixo do solo. Em termos contabil\u00edsticos, o que isto quer dizer que as empresas v\u00e3o \u00e0 fal\u00eancia, j\u00e1 que os mercados financeiros n\u00e3o v\u00e3o permitir que continuem a existir se abdicarem das reservas que n\u00e3o est\u00e3o a explorar e, ainda por cima, 40% das que j\u00e1 est\u00e3o a explorar. Surge logo aqui uma impossibilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos mercados financeiros existem tamb\u00e9m os seguros e os resseguros. \u201cQuando estamos a falar nisto, estamos a falar de uma coisa super-sombria que s\u00e3o os fundos de investimento, que ningu\u00e9m sabe quem \u00e9 que mete l\u00e1 o dinheiro, e que est\u00e3o altamente ligados a para\u00edsos fiscais. J\u00e1 existem produtos no mercado onde grupos de fundos de investimento est\u00e3o a apostar em que determinado s\u00edtio do planeta vai haver seca, e quando nesse determinado s\u00edtio do planeta houver seca, eles ganham dinheiro. Ent\u00e3o agora vou s\u00f3 fazer um jogo simples: eu tenho um neg\u00f3cio extrativista, seja ele qual for, que \u00e9 altamente prejudicial para a \u00e1gua num s\u00edtio do planeta e que vai causar seca; ent\u00e3o, eu n\u00e3o s\u00f3 vou ganhar dinheiro agora, como ainda vou colocar parte do meu lucro em como vai haver seca ali, e depois ainda vou ganhar outra vez com a seca.\u201d Jo\u00e3o Costa diz que s\u00f3 saber isto j\u00e1 \u00e9 de uma pessoa se revoltar \u2013 \u201co n\u00edvel de indigna\u00e7\u00e3o que n\u00f3s temos de ter \u00e9 muito diferente daquele que estamos a ter todos enquanto sociedade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para terminar esta an\u00e1lise econ\u00f3mica, Jo\u00e3o Costa fala \u201cdessa ideia da impossibilidade\u201d. \u201cAs pessoas falam na infla\u00e7\u00e3o como se fosse uma coisa f\u00edsica. Se saltares para o ch\u00e3o do topo de um pr\u00e9dio e n\u00e3o tiveres nada \u00e0 tua frente, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o ca\u00edres, e isso sim \u00e9 uma impossibilidade f\u00edsica real. Agora, a infla\u00e7\u00e3o? S\u00e3o tudo escolhas. Imprimir dinheiro \u00e9 uma escolha. \u00c9 a quest\u00e3o das impossibilidades que n\u00e3o s\u00e3o imposs\u00edveis de resolver\u201d. No fundo, na sua opini\u00e3o, \u00e9 tudo uma quest\u00e3o de prioridades.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"300\" width=\"300\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gerador.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/parte4_REPENSAR_SISTEMA_capitalismo-300x300.webp?resize=300%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-183037\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O \u2018Simbioceno\u2019, a perce\u00e7\u00e3o social e a mudan\u00e7a de comportamentos<\/h3>\n\n\n\n<p>Para Islene Fa\u00e7anha, \u201ctraduzir a linguagem cient\u00edfica para uma linguagem que as pessoas consigam perceber\u201d \u00e9 outro dos principais obst\u00e1culos. Depois, \u00e9 complicado \u201cperceber tamb\u00e9m a melhor forma de tentar passar a mensagem associada a problemas do dia a dia, para as pessoas perceberem que tudo est\u00e1 interligado, e que estamos a passar por um momento de m\u00faltiplas crises. Temos guerras, temos um contexto geopol\u00edtico muito complicado, e \u00e9 tamb\u00e9m preciso perceber como \u00e9 que a crise clim\u00e1tica afeta e agrava essas crises\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma boa parte dos conflitos armados est\u00e1 associada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de recursos e, em particular, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis. \u201cE estes conflitos acontecem tamb\u00e9m pela crise das nossas economias, do nosso modo de vida como sociedade, que \u00e9 insustent\u00e1vel, com produ\u00e7\u00f5es e modos de consumo tamb\u00e9m insustent\u00e1veis, que geram crises sociais, econ\u00f3micas e pol\u00edticas em v\u00e1rios pa\u00edses, principalmente nos em desenvolvimento, que s\u00e3o aqueles onde muitos dos pa\u00edses desenvolvidos v\u00e3o explorar os recursos. Ent\u00e3o, temos de ter uma vis\u00e3o muito mais macro, abrir os olhos para esses outros aspetos, e ter uma sensibilidade muito mais apurada, porque falta muita empatia no mundo atualmente. Logo, criar empatia e perceber essas realidades tamb\u00e9m \u00e9 uma parte importante.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A especialista da ZERO aponta outro entrave: \u201cse pensarmos na educa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em geral, acho que as pessoas ainda n\u00e3o est\u00e3o conscientes da for\u00e7a que t\u00eam como popula\u00e7\u00e3o unida. E, por exemplo, marchas, peti\u00e7\u00f5es, isto ajuda-nos muito na dimens\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, porque podemos usar isto, essa mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas como uma manobra at\u00e9 de chamada de aten\u00e7\u00e3o (e para a a\u00e7\u00e3o) para os decisores pol\u00edticos, e eles sentem muito isto como se fosse a temperatura da sociedade, e at\u00e9 das pol\u00edticas como um todo. Ent\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 um bocado mais consciente dos problemas ambientais, s\u00f3 que falta um bocado mais de a\u00e7\u00e3o, e pressionar mais os governos para tomarem decis\u00f5es que sejam coerentes\u201d. Aqui, a forma como se comunica \u00e9 essencial, porque muitas vezes \u201cas pessoas ficam meio paralisadas, sentem-se impotentes, porque acham que n\u00e3o conseguem contribuir muito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Costa comenta que lhe t\u00eam perguntado se <a href=\"https:\/\/gerador.eu\/crise-climatica-se-nao-for-isto-que-tem-a-capacidade-de-nos-unir-nao-sei-o-que-mais-podera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">as a\u00e7\u00f5es diretas do Clim\u00e1ximo e dos outros grupos de ativistas<\/a> n\u00e3o est\u00e3o a afastar as pessoas. \u201cPrimeiro, toda a gente sabe e sente que h\u00e1 um problema de habita\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um consenso mais do que generalizado, e nada muda. Os consensos nem sempre s\u00e3o catalisadores de mudan\u00e7as sociais. Podem ajudar, mas n\u00e3o \u00e9 isso que \u00e9 determinante. E depois, eu acho gra\u00e7a a essas coisas de dizerem que afastamos as pessoas de uma luta que devia ser delas. \u00c9 uma conversa muito dist\u00f3pica, porque dizermos que as pessoas se afastam de um problema que lhes diz respeito, s\u00f3 porque outras est\u00e3o a agir sobre o problema de uma maneira com que elas n\u00e3o concordam\u2026 Eu acho que o que a racionalidade podia mudar \u00e9 que essas pessoas iriam agir s\u00f3 porque achavam que este problema merece a\u00e7\u00e3o de uma maneira que acham que \u00e9 correta\u201d. Relativamente \u00e0s acusa\u00e7\u00f5es de radicalismo, acrescenta ainda que, \u201ccomparado com o facto de empresas estarem, de uma forma concertada, meticulosa, a planear a morte de milh\u00f5es de pessoas todos os anos s\u00f3 para manterem o seu poder, isto \u00e9 radicalismo?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O ativista reflete que, \u201cquando estamos a falar de pessoas comuns, e de governos e empresas a este n\u00edvel, eu n\u00e3o percebo qual \u00e9 a negocia\u00e7\u00e3o que se pode ter. Porque n\u00e3o h\u00e1 um equil\u00edbrio de for\u00e7as. Obviamente que tem de haver tentativa de negocia\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 racional: se eu n\u00e3o tenho nada que o outro lado queira de mim, logo, n\u00e3o tenho nada para oferecer, porque \u00e9 que eles v\u00e3o abdicar do poder que t\u00eam, ou de uma parte sequer? N\u00e3o v\u00e3o, claro que n\u00e3o\u201d. Avan\u00e7a que j\u00e1 esteve em muitas \u201creuni\u00f5es com grupos parlamentares\u201d e que \u201celes v\u00e3o sempre engonhar-nos, como t\u00eam feito aos professores, aos m\u00e9dicos e a todos os que lutam pela habita\u00e7\u00e3o\u201d. E lembra que, \u201chistoricamente, foi sempre assim: foram sempre minorias que n\u00e3o deixaram o problema passar impune, at\u00e9 que as pessoas comecem a chegar a um n\u00edvel em que \u00e9 imposs\u00edvel prosseguir com o seu quotidiano e comecem a achar que o problema \u00e9 realmente insuport\u00e1vel\u201d. Num outro n\u00edvel, \u201ch\u00e1 ainda a camada de pessoas que tem muita ignor\u00e2ncia social, falta de compaix\u00e3o e de empatia, de perceber o que \u00e9 que nos rodeia, e as teias de interesses que existem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Glenn Albrecht, fil\u00f3sofo ambientalista (especialmente focado na rela\u00e7\u00e3o entre os ecossistemas e a sa\u00fade humana), tem vindo a refletir h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas sobre as experi\u00eancias emocionais e psicol\u00f3gicas negativas causadas pelas altera\u00e7\u00f5es ambientais. Opondo o \u2018Simbioceno\u2019 (um neologismo criado a partir do conceito de simbiose, apontando para um novo per\u00edodo na hist\u00f3ria da Terra em que existe uma profunda interliga\u00e7\u00e3o de toda a vida no planeta) como uma alternativa ideal ao Antropoceno, o australiano defende que o mundo est\u00e1 atualmente a viver uma guerra emocional entre as for\u00e7as de cria\u00e7\u00e3o e as for\u00e7as de destrui\u00e7\u00e3o. Posto isto, criou uma s\u00e9rie de conceitos a que chama <em>psychoterratic dis-eases<\/em> (algo como doen\u00e7as \u2018psicoterr\u00e1queas\u2019), que s\u00e3o as que a humanidade est\u00e1 a sofrer neste momento. <em>Ecoanxiety<\/em> (\u2018ecoansiedade\u2019), <em>meteoranxiety<\/em> (ansiedade meteorol\u00f3gica), <em>nature deficit disorder<\/em> (perturba\u00e7\u00e3o de d\u00e9fice de natureza), <em>environmental generational amnesia<\/em> (amn\u00e9sia geracional ambiental), <em>ecoparalysis<\/em> (ecoparalisia), <em>solastalgia<\/em>,<em> tierratrauma<\/em> (trauma da Terra), <em>tierrafurie<\/em> (f\u00faria da Terra) e <em>global dread<\/em> (pavor global), s\u00e3o alguns dos exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro<a href=\"https:\/\/www.psychologytoday.com\/intl\/blog\/animal-emotions\/201905\/earth-emotions-new-words-new-world\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em> Earth Emotions: New Words for a New World<\/em><\/a>, o fil\u00f3sofo identifica tamb\u00e9m v\u00e1rios estados positivos, que contrap\u00f5e aos negativos e prop\u00f5e como essenciais para que a humanidade consiga deixar o Antropoceno, com toda a destrui\u00e7\u00e3o que a era geol\u00f3gica implica, para tr\u00e1s. <em>Solastalgia<\/em> tornou-se numa \u2018doen\u00e7a\u2019 bem conhecida no mundo acad\u00e9mico e no mundo das artes. \u201cA dor ou ang\u00fastia causada pela perda ou falta de consolo e a sensa\u00e7\u00e3o de desola\u00e7\u00e3o ligada ao estado atual da casa e do territ\u00f3rio de algu\u00e9m. \u00c9 a experi\u00eancia vivida de mudan\u00e7as ambientais negativas. \u00c9 a saudade que se sente quando ainda se est\u00e1 em casa\u201d \u00e9 como Glenn Albrecht define o termo. O contr\u00e1rio de <em>solastalgia<\/em> \u00e9 <em>soliphilia<\/em>, conceito visto como \u201co compromisso pol\u00edtico com a prote\u00e7\u00e3o de lugares de origem amados em todas as escalas, do local ao global, das for\u00e7as da desola\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando falamos destas situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 normal centramo-nos num <em>loop<\/em> de frustra\u00e7\u00e3o, de desespero, de ansiedade, de sentimentos com os quais n\u00e3o estamos habituados a lidar\u201d, admite Jo\u00e3o Costa. \u201cA nossa rea\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e9 respirar fundo e ir fazer alguma coisa para esquecer, para desligar a mente e o cora\u00e7\u00e3o desses sentimentos. E isso \u00e9 aceit\u00e1vel, mas n\u00e3o vai ajudar a resolver nada. N\u00f3s temos, de alguma maneira, coletiva e individualmente, de aceitar esses sentimentos, trabalh\u00e1-los, e lidar com a nossa raiva. Porque se n\u00e3o os aceitarmos n\u00e3o vamos agir, e n\u00f3s temos de agir\u201d. Precisamos de <em>soliphilia<\/em>, no fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE isto prende-se com a quest\u00e3o da mudan\u00e7a de comportamentos, que \u00e9 um outro grande desafio\u201d, acredita Susana Viseu. \u201cTodos n\u00f3s sabemos a grande dificuldade que \u00e9 mudar comportamentos. Para al\u00e9m de informa\u00e7\u00e3o e conhecimentos, \u00e9 preciso haver tamb\u00e9m condi\u00e7\u00f5es para mudar.\u201d Logo, \u201co mudar comportamentos tem duas componentes: sensibiliza\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da transmiss\u00e3o do conhecimento pr\u00e1tico e das bases cient\u00edficas de todas estas quest\u00f5es, evitando os eco-fundamentalismos, evitando os excessos e questionando o <em>greenwashing<\/em>, e por outro lado, a cria\u00e7\u00e3o de incentivos num determinado sentido e de penaliza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m para quem n\u00e3o cumpra metas e objetivos.\u201d<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"300\" width=\"300\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gerador.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/parte4_REPENSAR_SISTEMA_ilustracao-300x300.webp?resize=300%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-183033\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">As altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o consideradas a maior crise que a humanidade alguma vez enfrentou. Mesmo com consci\u00eancia das consequ\u00eancias, a quantidade de gases com efeito de estufa que emitimos para a atmosfera continua a aumentar anualmente; segundo a monitoriza\u00e7\u00e3o da Climate Watch, temos vindo a aproximar-nos cada vez mais das 50 mil milh\u00f5es de toneladas anuais. Cientistas e ativistas defendem que \u00e9 necess\u00e1rio repensar, adaptar e restruturar o sistema em que vivemos, e que faz\u00ea-lo \u00e9 urgente, uma vez que o prazo de validade do nosso modo de vida est\u00e1 a esgotar-se. Mas como se repensa o sistema? Por onde se pode come\u00e7ar, quais os caminhos a seguir e quais as poss\u00edveis alternativas e solu\u00e7\u00f5es? Como poderia ser a vida nas cidades sustent\u00e1veis do futuro? E quais os maiores obst\u00e1culos para l\u00e1 se chegar?<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Esta grande reportagem tem seis partes que ser\u00e3o publicadas ao longo de seis semanas nas datas indicadas em baixo.<\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Clica em cada um dos c\u00edrculos para as leres.<\/h4>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/gerador.eu\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/timeline_desktop-scaled.webp?w=1170&#038;ssl=1\" alt=\"\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 a quarta parte da grande reportagem \u201cRepensar o sistema em que vivemos\u201d para garantir um futuro mais sustent\u00e1vel e justo, que tem seis partes e come\u00e7ou a ser publicada a partir de 17 de novembro no Gerador. \u201cTudo est\u00e1 interligado [\u2026], e estes conflitos acontecem tamb\u00e9m pela crise das nossas economias, do nosso [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5108,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"activitypub_content_warning":"","activitypub_content_visibility":"","activitypub_max_image_attachments":4,"activitypub_interaction_policy_quote":"anyone","activitypub_status":"","footnotes":""},"categories":[206],"tags":[],"class_list":{"0":"post-5106","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-clipping-2023","8":"czr-hentry"},"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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