{"id":3722,"date":"2019-05-07T09:30:22","date_gmt":"2019-05-07T09:30:22","guid":{"rendered":"http:\/\/academiacidada.org\/?p=3722"},"modified":"2019-11-02T09:34:09","modified_gmt":"2019-11-02T09:34:09","slug":"fumaca-da-lhe-gas-3-4-a-padeira-da-bajouca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/academiacidada.org\/en\/fumaca-da-lhe-gas-3-4-a-padeira-da-bajouca\/","title":{"rendered":"FUMA\u00c7A:  D\u00e1-lhe G\u00e1s (3\/4) A padeira da Bajouca"},"content":{"rendered":"\n<p>                 7 Maio 2019  <\/p>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/omny.fm\/shows\/eapenasfumaca\/s-rie-d-lhe-g-s-ep-3-a-padeira-da-bajouca\/embed\" width=\"100%\" height=\"180\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p>[Este epis\u00f3dio foi produzido para ser ouvido. Mas pode ser lido em \nsimult\u00e2neo. O que se segue abaixo \u00e9 a transcri\u00e7\u00e3o integral de toda a \npe\u00e7a \u00e1udio, acompanhada de fotos e mapas.] <br \/><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>PARTE I \u2013 VINAGRE<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Na Bajouca, em Leiria, as pessoas n\u00e3o sabiam que a\u00ed vinha a ind\u00fastria\n do g\u00e1s. As suas casas, locais de trabalho, os caf\u00e9s e restaurantes onde\n comem, as igrejas onde rezam, os campos que cultivam, toda esta \u00e1rea \nfoi concessionada. Sem que se soubesse de nada. Os 2.510 km2 de direitos\n de explora\u00e7\u00e3o do subsolo nacional que o Governo vendeu em 2015 \ndividem-se por 18 concelhos onde moram cerca de 825 mil pessoas. Mas \nnesta ampla \u00e1rea do Centro-Oeste nacional, h\u00e1 terras onde a ind\u00fastria \npetrol\u00edfera n\u00e3o \u00e9 estranha. Em Aljubarrota, por exemplo, h\u00e1 mais de 20 \nanos que v\u00e1rias empresas j\u00e1 tinham furado e feito campanhas \ngeoss\u00edsmicas. J\u00e1 tinham entrado no imagin\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/em><\/strong><em>Eu\n tamb\u00e9m s\u00f3 descobri o furo mesmo em cima e foi o que fez mexer. Foi ser \ndaqui. Estar ligado a movimentos sociais e ambientalistas e perceber \nque, em Portugal, as empresas estavam c\u00e1, p\u00e1, desde 1800. Mas, forte, \nforte, come\u00e7aram h\u00e1 20 anos, 30, e n\u00e3o havia nenhum grupo ambientalista,\n n\u00e3o havia ningu\u00e9m a acompanhar, n\u00e3o havia nenhum relat\u00f3rio, ningu\u00e9m \nfazia perguntas. E eu pensei, \u2018como \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel isto estar aqui h\u00e1 \n20 anos\u2019?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Apresento-vos uma voz que v\u00e3o ouvir v\u00e1rias vezes ao longo deste epis\u00f3dio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/em><\/strong><em>O meu nome \u00e9 Jo\u00e3o Vinagre, eu vivo nas Caldas, nascido e vivo c\u00e1 ainda. Portanto, cresci na zona Oeste e em 2012\u2026 <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2012, Jo\u00e3o percebeu que andavam a montar uma torre para furar mesmo ao lado do Mosteiro de Alcoba\u00e7a\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/em><\/strong><em>\u2026 E a\u00ed \u00e9 que eles descobriram a coluna de g\u00e1s que leva a que haja empresas ainda interessadas em investir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E isso f\u00ea-lo passar os \u00faltimos anos a investigar tudo o que podia \nsobre as ind\u00fastrias petrol\u00edferas no mundo e c\u00e1 dentro. Criou um blogue, \nchamado \u201cG\u00e1s Natural N\u00e3o\u201d \u2013 <a href=\"https:\/\/gasnaturalnao.wordpress.com\/\">https:\/\/gasnaturalnao.wordpress.com\/<\/a>\n \u2013 onde coloca not\u00edcias, pesquisas, v\u00eddeos, divulga eventos e campanhas,\n explora estudos, teses de mestrado e doutoramento, escreve reflex\u00f5es, \nan\u00e1lises cr\u00edticas, teorias \u2013 umas mais certas e factuais que outras. Um \nverdadeiro reposit\u00f3rio sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinagre \u00e9 um homem de muitas causas, l\u00ea, estuda, investiga. Foi a \nprimeira pessoa com quem falei para fazer esta s\u00e9rie. Passamos mais de \ntr\u00eas horas \u00e0 conversa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/em><\/strong><em>Ep\u00e1,\n eu n\u00e3o sou t\u00e9cnico, mas eu acompanho isto h\u00e1 seis anos, e n\u00e3o acompanho\n em Portugal. Durante muitos anos tive de acompanhar o que se passava \nnos Estados Unidos, na Austr\u00e1lia, na Pol\u00f3nia\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio a sua aten\u00e7\u00e3o virou-se para fora de Portugal e a sua \npreocupa\u00e7\u00e3o estava nas explora\u00e7\u00f5es n\u00e3o convencionais de petr\u00f3leo e de \ng\u00e1s, como as areias betuminosas ou o g\u00e1s de xisto. Nos furos \ntradicionais, como se caricatura nos filmes ou nos desenhos animados, \nfaz-se um furo num reservat\u00f3rio de petr\u00f3leo ou g\u00e1s e ele vem \u00e0 \nsuperf\u00edcie. Nas explora\u00e7\u00f5es n\u00e3o convencionais os hidrocarbonetos n\u00e3o se \njuntam em grandes bolsas homog\u00e9neas debaixo da terra, podem estar \nmisturados com e entre v\u00e1rios tipos de rochas, areias, lamas, de forma \nfragmentada.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/em><\/strong><em>O\n que a tornou n\u00e3o convencional \u2013 e o nome foi dado pelas empresas \u2013 foi \nisso. Foi o tipo de investimento que tinhas que dar para estudar \ntecnologias novas, materiais novos, que tornassem, economicamente, \nvi\u00e1vel. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o esteve envolvido numa campanha internacional que lutava contra a\n extra\u00e7\u00e3o de areias betuminosas (que s\u00e3o uma mistura de areia, barro, \n\u00e1gua e betume) e a sua exporta\u00e7\u00e3o para Europa. Esta \u00e9 uma das formas <a href=\"https:\/\/ceri.ca\/studies\/oil-sands-environmental-impacts\">mais poluentes e destrutivas de explorar petr\u00f3leo<\/a> e que usa mais energia para o transformar. Tem o seu <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/ng-interactive\/2015\/may\/28\/carbon-bomb-canada-tar-sands-fort-mckay-town-sold-itself\">epicentro na prov\u00edncia de Alberta<\/a>,\n no Canad\u00e1 e \u00e9 um gigantesco dep\u00f3sito de hidrocarbonetos onde se montou \num dos mais impressionantes projetos industriais da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2015, um grupo com mais de 100 cientistas norte-americanos e canadianos assinou uma <a href=\"http:\/\/www.oilsandsmoratorium.org\/\">carta pedindo uma morat\u00f3ria<\/a>\n \u00e0 extra\u00e7\u00e3o deste tipo de mat\u00e9ria prima pelos efeitos que provoca na \npaisagem, na contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1guas e polui\u00e7\u00e3o do ar e pelos impactos nas\n comunidades. O Canad\u00e1 \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.worldatlas.com\/articles\/the-world-s-largest-oil-reserves-by-country.html\">terceiro pa\u00eds do mundo em reservas<\/a> de petr\u00f3leo, atr\u00e1s da Ar\u00e1bia Saudita e da Venezuela, onde tamb\u00e9m h\u00e1 explora\u00e7\u00f5es de areias deste tipo, na regi\u00e3o de Orinoco.<br \/>O ativista come\u00e7ou tamb\u00e9m a olhar para outro tipo explora\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/em><\/strong><em>Disseram-me: \u2018Como \u00e9 que \u00e9? Queres apresentar uma cena sobre o fracking? Damos-te ali um espa\u00e7o e tu\u2026\u2019.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E ele l\u00e1 foi falar de mais uma t\u00e9cnica n\u00e3o convencional, chamada fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica ou <em>fracking<\/em>,\n em ingl\u00eas. Consiste num furo vertical que j\u00e1 debaixo da terra faz um \ndesvio, tornando-se horizontal \u2013 como se fosse um L. Isto permite \nesburacar uma sec\u00e7\u00e3o muito mais longa do subsolo. Depois \u00e9 injetada, a \nalta press\u00e3o, uma mistura de milhares de litros de \u00e1gua, areia e \ncentenas de produtos qu\u00edmicos, de modo a rebentar a rocha e soltar o g\u00e1s\n ou \u00f3leo a\u00ed aprisionado. Essa mistura volta \u00e0 superf\u00edcie, os \nhidrocarbonetos s\u00e3o aproveitados e o que sobra de \u00e1gua, qu\u00edmicos e lamas\n \u00e9 colocado em lagoas a c\u00e9u aberto, muitas vezes abandonadas sem \ntratamento ou despejadas em lixeiras, provocando a contamina\u00e7\u00e3o de \nlinhas de \u00e1gua ou aqu\u00edferos subterr\u00e2neos, como <a href=\"https:\/\/cfpub.epa.gov\/ncea\/hfstudy\/recordisplay.cfm?deid=332990\">demonstrou um estudo<\/a> da Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, publicado em 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 por causa destas consequ\u00eancias que Jo\u00e3o Vinagre n\u00e3o quer c\u00e1 o <em>fracking<\/em>.\n Ela acha que \u00e9 bem poss\u00edvel que a Australis recorra a esta t\u00e9cnica para\n furar em Aljubarrota ou na Bajouca. N\u00e3o tirou esta conclus\u00e3o do nada. \nNa verdade, parece at\u00e9 ter bastante l\u00f3gica. Por tr\u00eas raz\u00f5es, ora \nacompanhem-me:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Primeira raz\u00e3o. <br \/><\/strong>Em todos os documentos \nsubmetidos ao longo do processo de avalia\u00e7\u00e3o ambiental \u2013 explic\u00e1mos o \nque isto era no \u00faltimo epis\u00f3dio \u2013 a empresa descreve os furos como \nperfura\u00e7\u00f5es verticais que depois fazem um desvio horizontal, a forma \nmais comum de extra\u00e7\u00e3o de <em>fracking<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Segunda raz\u00e3o. <br \/><\/strong>Os contratos de concess\u00e3o <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B3Rm4bFRcqgXaGlnREFxZXNBa0E\/view\">Batalha<\/a> e <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/drive\/folders\/0B3Rm4bFRcqgXQjJGcEVQUmN6THM\">Pombal<\/a>\n \u2013 \u00e9 sempre destas \u00e1reas que falamos \u2013 s\u00e3o, na pr\u00e1tica, tirados a papel \nqu\u00edmico um do outro. S\u00f3 muda o nome e as coordenadas da zona vendida. E \nnestes est\u00e1 escrito nos n\u00fameros, 3, 4 e 5 do artigo 2.\u00ba que a \nconcession\u00e1ria \u2013 a Australis \u2013 (e cito) \u201cdever\u00e1 respeitar todas as leis \nem vigor durante a vig\u00eancia do contrato de concess\u00e3o, em particular a \nque respeitar \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas de fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica\u201d. Diz-se\n ainda que para poder usar esta t\u00e9cnica tem de ser pedida \u201cautoriza\u00e7\u00e3o \npr\u00e9via \u00e0 tutela, a qual s\u00f3 poder\u00e1 ser recusada com fundamento na Lei\u201d e \nainda que se a tutela \u2013 portanto o Ministro ou Secret\u00e1rio de Estado com a\n pasta da Energia \u2013 n\u00e3o responder ao pedido no prazo de 30 dias, (cito) \n\u201cconsiderar-se-\u00e1 o mesmo pedido como aprovado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Terceira raz\u00e3o. <br \/><\/strong>Para al\u00e9m de Portugal \u2013 onde \nainda n\u00e3o fez nenhum furo \u2013 a \u00fanica outra geografia onde a Australis \nopera \u00e9 nos Estados Unidos da Am\u00e9rica. At\u00e9 ao <a href=\"http:\/\/www.australisoil.com\/irm\/PDF\/1551_2\/AnnualReporttoshareholders\">final de 2018<\/a>,\n era a principal titular de direitos de superf\u00edcie na \u00e1rea central de \nprodu\u00e7\u00e3o da Tuscaloosa Marine Shale (TMS), uma bacia sedimentar entre os\n estados do Louisiana e Mississippi, onde a petrol\u00edfera explorava 59 \npo\u00e7os de petr\u00f3leo. Mas tem uma \u00e1rea t\u00e3o grande que no seu relat\u00f3rio \nanual de 2018 estimava poder abrir cerca de 410 po\u00e7os nos pr\u00f3ximos anos.\n E em todos eles\u2026<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>Ian Lusted: <\/strong>We use fracking in the US, yes. It is a tool in the toolbox.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>As palavras s\u00e3o de Ian Lusted, CEO da Australis, quando foi a Leiria,\n em outubro passado, apresentar os planos da companhia aos autarcas, \nambientalistas e jornalistas. O <em>fracking<\/em> \u00e9 uma ferramenta na \ncaixa de ferramentas. E pelos vistos \u00e9 uma ferramenta que se usa apenas \nnos Estados Unidos da Am\u00e9rica, n\u00e3o em Portugal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resumindo. <\/strong>Nos contratos assinados entre a Australis\n e o Estado Portugu\u00eas a t\u00e9cnica de fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica n\u00e3o est\u00e1 \nproibida e diz-se que pode ser usada, desde que autorizada pelo Governo;\n o tipo de furo que se vai fazer \u2013 vertical e depois horizontal \u2013 \u00e9 \nsemelhante aos que se fazem num furo de <em>fracking<\/em> e, finalmente, fora de Portugal, no \u00fanico local onde tem opera\u00e7\u00f5es, nos EUA, a Australis utiliza <em>fracking<\/em> para explorar petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que empresa diz e repete \u2013 em todas as declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, \ncomunicados de imprensa e entrevistas n\u00e3o deixa margem para outras \ninterpreta\u00e7\u00f5es: <a href=\"https:\/\/www.dn.pt\/lusa\/interior\/empresa-australiana-garante-prospecao-de-gas-sem-fratura-hidraulica-na-regiao-de-leiria-10115256.html\">em Portugal n\u00e3o vai usar a fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica<\/a>. Os furos ser\u00e3o convencionais, t\u00e3o normais como qualquer furo para capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que algu\u00e9m em Aljubarrota ou na Bajouca acredita nisto? Que j\u00e1 ouviu falar em <em>fracking<\/em>\n ou fractura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica? Que percebe o que \u00e9 isso quer dizer? E de \nque forma reagiram as popula\u00e7\u00f5es quando a petrol\u00edfera lhes foi \napresentar o seu projeto, cara a cara? Ser\u00e1 que v\u00e3o deixar os furos \nacontecer?<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA padeira da Bajouca\u201d \u00e9 o terceiro epis\u00f3dio da s\u00e9rie <strong>D\u00e1-lhe G\u00e1s<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seja toda a gente bem-vinda ao Fuma\u00e7a, eu sou o Pedro Miguel Santos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PARTE II \u2013 FRACKING<\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Jo\u00e3o Vinagre a andar desconfiado. A maioria dos \nambientalistas e ativistas anti-g\u00e1s est\u00e3o. Ter\u00e3 as suas desconfian\u00e7as \ndos ambientalistas ter\u00e3o raz\u00e3o de ser? Fazendo f\u00e9 em toda a informa\u00e7\u00e3o \nsubmetida pela empresa em documentos oficiais, n\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00f5es \nfactuais para acreditar que haver\u00e1 fracking em Aljubarrota ou na \nBajouca. Mas a verdade \u00e9 que acreditar na palavra de empresas \npetrol\u00edferas \u00e9 o mesmo que acreditar na palavra das tabaqueiras, antes \nde serem obrigadas a colocar nos ma\u00e7os de cigarros a frase \u201cfumar mata\u201d.\n Durante d\u00e9cadas as empresas de fumo <a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt\/article\/vba4zm\/a-historia-suja-de-como-a-industria-do-tabaco-foi-obrigada-a-reduzir-de-tamanho\">negaram que o tabaco causasse danos \u00e0 sa\u00fade<\/a>\n ou sequer provocasse cancro. Faziam publicidade prometendo maravilhas e\n gastaram milh\u00f5es a promover a desconfian\u00e7a sobre as consequ\u00eancias \nnegativas dos seus produtos, num conluio de desinforma\u00e7\u00e3o que ficou \nconhecido como \u201c<a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/12393079_Operation_Berkshire_The_International_Tobacco_Companies'_conspiracy\">Opera\u00e7\u00e3o Berkshire<\/a>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ind\u00fastria petrol\u00edfera passa-se mais ou menos o mesmo. H\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/business\/2016\/apr\/13\/climate-change-oil-industry-environment-warning-1968\">mais de 50 anos<\/a>\n que a empresas de petr\u00f3leo dos Estados Unidos da Am\u00e9rica tem \nconhecimento das consequ\u00eancias danosas que a queima de combust\u00edveis \nf\u00f3sseis traria ao sistema clim\u00e1tico e sabe-se, hoje, que nos anos 80 \ngigantes como a <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/climate-consensus-97-per-cent\/2018\/sep\/19\/shell-and-exxons-secret-1980s-climate-change-warnings\">Exxon e a Shell tinham relat\u00f3rios internos secretos<\/a> que j\u00e1 identificavam de forma muito clara os danos que seus produtos causavam no ambiente e no aquecimento do Planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que a Australis tenha este tipo de pr\u00e1ticas. Mas at\u00e9 ir explicar \u00e0s popula\u00e7\u00f5es, tintim por tintim<em>, <\/em>o\n que queria fazer a desconfian\u00e7a instalou-se, sobretudo na Bajouca. L\u00e1 \niremos mais \u00e0 frente. Porque, em Aljubarrota, a coisa parece mais \ntranquila. , como lembra o Jo\u00e3o Vinagre.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre: <\/em><\/strong><em>Aqui\n em Alcoba\u00e7a fizemos uma a\u00e7\u00e3o que foi distribuir flyers. Aproveit\u00e1mos a \nfeira medieval de Aljubarrota e tent\u00e1mos incentivar um bocado as \nmulheres de Aljubarrota, mas pronto, foi engra\u00e7ado. A \u00fanica\u2026 A conversa \nque tivemos l\u00e1 no caf\u00e9 foi logo um rapaz a dizer \u201cEnt\u00e3o, mas ent\u00e3o \u00e9 mau\n porqu\u00ea? Eu tenho ali um terreno e eles pagam-me n\u00e3o sei quanto por ele.\n Porque \u00e9 que \u00e9 mau? Ali o outro senhor alugou um terreno ali um ano, \nrecebia 3000 euros por m\u00eas. \u00c9 mau porqu\u00ea?\u201d. O impacto que a ind\u00fastria \npetrol\u00edfera deixou na \u00e1rea n\u00e3o foi nada negativo, e isso \u00e9 um problema \nque o ativista, ou a pessoa ativa, ou a pessoa local vai ter uma grande \ndificuldade em dar a volta.<br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> E o que \u00e9 que se responde a esses argumentos?<br \/><\/em><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre: <\/em><\/strong><em>[risos] N\u00e3o sei. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 andou ele e outros ativistas da campanha vestidos de Padeira \nde Aljubarrota, na Feira Medieval, em agosto de 2018, como organizaram \ntamb\u00e9m sess\u00f5es de esclarecimento e debate. Jos\u00e9 Louren\u00e7o Severino, o \npresidente da junta de Aljubarrota, esteve numa delas, realizada em \nAlcoba\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jos\u00e9 Louren\u00e7o Severino:<\/em><\/strong><em> N\u00e3o est\u00e3o motivadas, as pessoas querem que os outros trabalhem para eles, est\u00e1 a perceber.<br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> [risos] Mas acha que n\u00e3o as preocupa, mesmo a quest\u00e3o das \u00e1guas ou dos impactes?<br \/><\/em><strong><em>Jos\u00e9 Louren\u00e7o Severino:<\/em><\/strong><em>\n \u00c9 como eu lhe estou a dizer, as pessoas\u2026 Tudo o que \u00e9 formado, tudo o \nque tem conhecimentos reais, preocupa-se. Os outros, n\u00e3o querem saber. \nFizeram uma reuni\u00e3o em Alcoba\u00e7a, anunciaram na r\u00e1dio e tudo, apareceram \nl\u00e1 um m\u00e1ximo 20, mas de Aljubarrota s\u00f3 tive eu e mais dois ou tr\u00eas\u2026 <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Vinagre percebe bem as dificuldades de lutar contra empresas t\u00e3o poderosas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/em><\/strong><em>Eles\n est\u00e3o aqui h\u00e1 20 anos, hum. Quando a gente est\u00e1 aqui h\u00e1 dois a tentar \nfalar com as pessoas, as petrol\u00edferas t\u00eam 20 anos de trabalho com a \npopula\u00e7\u00e3o ali, ent\u00e3o\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nas mil e umas vidas que j\u00e1 teve, nas muitas causas em que j\u00e1 militou\n \u2013 da liberta\u00e7\u00e3o animal \u00e0 luta contra a constru\u00e7\u00e3o das barragens do \nSabor e de Foz Tua \u2013 sabe que n\u00e3o h\u00e1 receitas que se apliquem de igual \nmodo em cada terra. Cada comunidade \u00e9 uma comunidade. E, muitas vezes, a\n palavra ambientalista \u00e9 um mau cart\u00e3o de visita\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre: <\/em><\/strong><em>Foi\n o que aconteceu nesse caf\u00e9: o pessoal come\u00e7ou a falar em altera\u00e7\u00f5es \nclim\u00e1ticas, em economia, e acabou-se. Tu n\u00e3o podes chegar a uma \npopula\u00e7\u00e3o no meio do nada e come\u00e7ares a falar\u2026 Tens de os fazer perceber\n que os filhos j\u00e1 n\u00e3o se interessam e que o que eles usaram a vida toda \nvai-se perder. E que as gera\u00e7\u00f5es futuras podem vir a precisar disso, que\n \u00e9 a \u00e1gua, a terra e o conv\u00edvio entre eles e entreajuda. Que \u00e9 o que \nacontece nas aldeias. Tu chegas l\u00e1, vivem l\u00e1 idosos, n\u00e3o vivem l\u00e1 \npessoas novas. As pessoas novas que vivem l\u00e1 \u00e0s vezes s\u00e3o investidores \nde agricultura, s\u00f3 que como \u00e9 que tu vais dizer a um agricultor \u2018Ep\u00e1, \nvoc\u00ea n\u00e3o pode deixar as petrol\u00edferas vir para aqui porque se n\u00e3o\u2026\u2019. \n\u2018Ent\u00e3o, mas como \u00e9 que achas que eu exporto a minha fruta? Como \u00e9 que \nachas que o meu trator funciona? Se voc\u00eas param com o petr\u00f3leo, como eu a\n gente vai ganhar dinheiro para a fam\u00edlia comer?\u2019 <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Isso eram as respostas das pessoas? <br \/><\/em><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre: <\/em><\/strong><em>Isso\n eram as respostas. S\u00e3o respostas comuns. \u00c9 uma resposta que existe em \nqualquer com\u00e9rcio que tu v\u00e1s tentar fechar. At\u00e9\u2026 At\u00e9 comunidades que \nvendem drogas \u00e9 o que respondem: \u2018como \u00e9 que eu vou ganhar dinheiro para\n a minha fam\u00edlia?\u2019. \u00c9 o que te d\u00e1 dinheiro. E isso sempre tem sido um \ndos problemas do movimento ambientalista em Portugal ao tentar \nintroduzir leis de prote\u00e7\u00e3o seja l\u00e1 onde for. Tens os ca\u00e7adores que n\u00e3o \ngostam dos ambientalistas, tens os agricultores que n\u00e3o gostam dos \nambientalistas. Eu trabalho do campo. Todos os dias tenho de lidar com \npessoas, eles sabem o que \u00e9 que eu defendo. E \u00e9 isso, tu n\u00e3o consegues \nfalar de\u2026 \u2018temos de acabar com o petr\u00f3leo\u2019. <\/em><em>(\u2026)<br \/><\/em><em>Eu \nj\u00e1 estive na luta contra as barragens em Tr\u00e1s-os-Montes, e o que existe \nmuito nas aldeias e nos pequenos povos \u00e9 a ideia m\u00e1 dos ambientalistas e\n dos de esquerda ou de direita, n\u00e3o interessa. A partir do momento em \nque eles te identificam, ou que o teu vocabul\u00e1rio tem a ver com a \nsalva\u00e7\u00e3o do planeta, numa melhor pol\u00edtica, na na na, perdes as pessoas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o tom de gozo com que foram ditas as palavras seguintes, seja disso um bom exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jos\u00e9 Carvalho<br \/><\/em><\/strong><em>Sou\n Jos\u00e9 Carvalho, Provedor da Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Aljubarrota, e\n tenho a dizer o seguinte: Se o Estudo de Impacte Ambiental for \nfavor\u00e1vel, que avance a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, porque n\u00f3s aqui na Santa Casa\n h\u00e1 anos que precisamos de g\u00e1s natural, que ainda n\u00e3o nos puseram. \n<\/em><\/p>\n\n\n<p>[risos]<\/p>\n\n\n\n<p> Avancem com isso.\n\n\n\n<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a \u00faltima interven\u00e7\u00e3o numa longa reuni\u00e3o de quase tr\u00eas horas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"768\" width=\"1024\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/fumaca.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Aljubarrota-1024x768.jpg?resize=1024%2C768&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2902\"\/><figcaption> <br \/>Panfleto\n distribu\u00eddo pela Australis na sess\u00e3o de esclarecimento realizada no \nsal\u00e3o nobre da Junta de Freguesia de Aljubarrota, a 28 de janeiro de \n2019. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A 28 de janeiro deste ano a Australis fez a sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o\n p\u00fablica destinada ao Povo de Aljubarrota. Pelas 20:30, no sal\u00e3o da \njunta de freguesia estava tudo apostos: colunas, projetor, aquecedor \nligado \u2013 que a noite estava fria \u2013 50 cadeiras, perfeitamente alinhadas,\n \u00e0 espera das gentes. C\u00e1 fora, uns minutos antes da entrada, fumavam-se \nos \u00faltimos cigarros. A sala encheu totalmente. O presidente de junta, \nJos\u00e9 Louren\u00e7o Severino, fez as honras da casa.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jos\u00e9 Louren\u00e7o Severino:<\/strong> Quem tiver d\u00favidas deve fazer hoje, por isso estamos aqui. Obrigado a todos.<\/em><br \/><em><strong>Helena Silva:<\/strong>\n Obrigada, senhor presidente. E vamos dar in\u00edcio ent\u00e3o \u00e0 sess\u00e3o \npropriamente dita. Antes disso eu gostaria de me apresentar, o meu nome \u00e9\n Helena Silva, eu vou ser a moderadora desta sess\u00e3o. Passo ent\u00e3o a \napresentar a mesa. &nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na mesa estavam sentadas caras j\u00e1 nossas conhecidas, que apresent\u00e1mos\n no \u00faltimo epis\u00f3dio: Vasco Taborda, o representante legal da Australis \nem Portugal; Rui Machado, supervisor de campo, Paula Gonzalez, da ERM, a\n consultora ambiental que vai coordenar o Estudo de Impacto Ambiental e o\n diretor-geral da Australis\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Helena Silva<br \/><\/em><\/strong><em>Ian\n Lusted, que nos vai ajudar a conhecer melhor a empresa e o seu \ntrabalho. Vai tamb\u00e9m esclarecer-nos sobre o trabalho que a empresa \npretende realizar em Portugal, a fase em que est\u00e1 este processo, os \ntimmings de trabalho da empresa e, mais importante, a forma como \npretende realizar estas prospe\u00e7\u00f5es. Muito se tem dito nos \u00faltimos tempos\n sobre este trabalho vamos tentar que esta interven\u00e7\u00e3o seja o mais \nesclarecedora poss\u00edvel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A alus\u00e3o ao \u201cmuito que se tem dito nos \u00faltimos tempos sobre este \ntrabalho\u201d ia direitinha aos ambientalistas por dizerem \u2013 muitos, hoje, \nainda dizem \u2013 que vai haver fracking em Aljubarrota e na Bajouca e por \nn\u00e3o acreditarem que esta t\u00e9cnica n\u00e3o seja utilizada. Na sess\u00e3o desta \nnoite, em cima das cadeiras, havia um panfleto da empresa a explicar o \nque queria fazer. No verso lia-se:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA Australis n\u00e3o est\u00e1 a planear \nestimular estes po\u00e7os atrav\u00e9s de fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica. Ser\u00e3o utilizadas\n t\u00e9cnicas convencionais. A empresa n\u00e3o solicitou nenhum tipo de \naprova\u00e7\u00e3o para t\u00e9cnicas de fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica ou fracking\u201d.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas porque que raio est\u00e1 esta refer\u00eancia nos contratos? Em outubro, \nquando a Australis fez a primeira reuni\u00e3o s\u00f3 para autarcas, ativistas e \ncomunica\u00e7\u00e3o social, em Leiria, no hotel Eurosol, quis esclarecer este \nassunto. Vasco Taborda, o advogado da empresa, foi quem me elucidou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Vasco Taborda:<\/em><\/strong><em> Eu tratei dos contratos, na altura, e foi uma imposi\u00e7\u00e3o do ministro do Ambiente de ent\u00e3o. <\/em><em>(\u2026)<br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em>\n Quando diz o Minist\u00e9rio, estamos a falar, na altura, do Minist\u00e9rio do \nAmbiente e da Energia. A Entidade Nacional para o Mercado dos \nCombust\u00edveis, que foi a entidade que assinou o contrato \u2013 Doutor Paulo \nCarmona. Foi a entidade nacional, ou foi o Minist\u00e9rio? S\u00e3o duas \nentidades diferentes.<br \/><\/em><strong><em>Vasco Taborda:<\/em><\/strong><em> O Minist\u00e9rio, o Minist\u00e9rio.<br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Esta necessidade \u2013 de querer o fracking l\u00e1 \u2013 \u00e9 uma imposi\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Ambiente da altura.<br \/><\/em><strong><em>Vasco Taborda<\/em><\/strong><em>: Foi o que me foi transmitido na altura, sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E foi mesmo uma imposi\u00e7\u00e3o de Jorge Moreira da Silva, Ministro do \nAmbiente, Ordenamento do Territ\u00f3rio e Energia, que, hoje, \u00e9 \ndiretor-geral de Desenvolvimento e Coopera\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o para a \nCoopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE). Contactei-o, tentei um \nencontro pessoal, mas s\u00f3 foi poss\u00edvel falar por email. Escreveu-me:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cRecordo-me (\u2026) de ter exigido que\n a ENMC inclu\u00edsse nos contratos que iria assinar uma disposi\u00e7\u00e3o que \nobrigasse os projetos que recorressem a <em>fracking<\/em> a realizar \nAvalia\u00e7\u00e3o de Impacto Ambiental logo na fase de mapeamento e prospe\u00e7\u00e3o e \nn\u00e3o apenas antes da explora\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, esta norma contratual \u00e9 mais \nexigente do que aquilo que a legisla\u00e7\u00e3o estabelecia e colocou Portugal \ncomo o pa\u00eds europeu com os contratos com as regras mais apertadas para a\n realiza\u00e7\u00e3o de <em>fracking<\/em>. Felizmente.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Moreira da Silva n\u00e3o \u00e9 uma pessoa qualquer no que \u00e0s pol\u00edticas de \nambiente e \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas diz respeito. \u00c9 formado em \nEngenharia Eletrot\u00e9cnica (\u00e1rea de Energia), e um valioso quadro do PSD. \nFoi presidente da JSD e vice-presidente do partido. Entre 1999 e 2003, \nfoi Deputado ao Parlamento Europeu e, nessa qualidade, foi relator, \nnegociador e autor da <a href=\"https:\/\/eur-lex.europa.eu\/legal-content\/PT\/TXT\/?uri=CELEX:32009L0029\">Diretiva<\/a> que estabeleceu o Sistema Europeu de Com\u00e9rcio de Emiss\u00f5es de Gases de Efeito de Estufa, aprovada em 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 2006 e 2009, foi consultor do Presidente da Rep\u00fablica nas \u00e1reas\n da Ci\u00eancia, Ambiente e Energia; do Banco Europeu de Investimento (BEI) e\n da Comiss\u00e3o Europeia na \u00e1rea da biodiversidade e das altera\u00e7\u00f5es \nclim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2011, fundou o <em>think-tank<\/em> <a href=\"https:\/\/www.crescimentosustentavel.org\/\">Plataforma para o Crescimento Sustent\u00e1vel<\/a>\n \u2013 composto por uma maioria de ex-dirigentes e simpatizantes do PSD \u2013 \ntendo sido o Presidente da dire\u00e7\u00e3o entre 2011 e 2013 e novamente a \npartir de 2015, at\u00e9 ir para a OCDE. Entre 2009 e 2012, foi Diretor da \n\u00e1rea de Economia da Energia e das Altera\u00e7\u00f5es Clim\u00e1ticas do Programa das \nNa\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Nova Iorque.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.crescimentosustentavel.org\/quemsomos\/orgaos-sociais\/direccao\/jorge-moreira-da-silva\">Este Moreira da Silva<\/a>\n \u2013 conselheiro e especialista internacional \u2013 \u00e9 o mesmo Moreira da Silva\n ministro que permitiu que se fizessem as concess\u00f5es Batalha e Pombal. \nMas na quest\u00e3o do fracking, quem operacionalizou as coisas foi o seu \nSecret\u00e1rio de Estado, como me escreveu \u2013 e cito \u2013 \u201cconfesso que n\u00e3o \ndomino todos os detalhes dado que o tema da geologia estava delegado no \nSecret\u00e1rio de Estado da Energia, Artur Trindade, talvez valha a pena \ncontact\u00e1-lo\u201d. Assim fiz, mas n\u00e3o consegui uma resposta. Trindade foi <a href=\"https:\/\/www.jn.pt\/politica\/interior\/artur-trindade-tomou-posse-como-secretario-de-estado-da-energia-2358973.html\">nomeado<\/a> secret\u00e1rio de Estado da Energia do Governo de Passos Coelho depois da sa\u00edda de Henrique Gomes, quando este governante <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2019\/01\/23\/henrique-gomes-foi-proibido-de-falar-em-publico-nas-rendas-excessivas-mas-divergencia-com-ministro-era-tatica\/\">queria cortar as rendas excessivas no setor el\u00e9trico pagas \u00e0 EDP<\/a>. Hoje Artur Trindade \u00e9 presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.omip.pt\/en\/content\/board-directors\">OMIP<\/a>, o operador portugu\u00eas do mercado ib\u00e9rico da eletricidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A Dire\u00e7\u00e3o Geral de Energia e Geologia informou-me de que:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c(\u2026) Por despacho do senhor \nSecret\u00e1rio de Estado da Energia [Artur Trindade], de 28 de novembro de \n2014, foi determinado que deveria ficar claro que a concession\u00e1ria \ndeveria cumprir com a regulamenta\u00e7\u00e3o que viesse a ser criada para a \nprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o convencional, em particular a fratura\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a verdade \u00e9 que o <em>fracking<\/em> n\u00e3o est\u00e1 proibido em Portugal, nem na Europa, genericamente. Foi <a href=\"https:\/\/www.irishtimes.com\/news\/politics\/oireachtas\/ireland-joins-france-germany-and-bulgaria-in-banning-fracking-1.3137095\">banido<\/a> apenas em Fran\u00e7a, Alemanha, Bulg\u00e1ria, Irlanda. Esta maneira de extrair petr\u00f3leo e g\u00e1s tem <a href=\"https:\/\/cfpub.epa.gov\/ncea\/hfstudy\/recordisplay.cfm?deid=332990\">graves consequ\u00eancias ambientais<\/a>\n por causa da enorme quantidade de \u00e1gua que utiliza, pela contamina\u00e7\u00e3o \nde len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos e pelos sismos que pode induzir e provocar.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o da Australis. Era uma sala a abarrotar, mais \nlugares houvesse, mais se ocupavam. Solenemente frequentada \u2013 estava l\u00e1 \ntodo o executivo da junta, estava l\u00e1 toda a verea\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de \nAlcoba\u00e7a. Estava tamb\u00e9m a comunica\u00e7\u00e3o social. Estavam os ativistas \nanti-explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, os principais cr\u00edticos, neste encontro.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante mais de duas horas Ian Lusted, presidente do Conselho de \nAdministra\u00e7\u00e3o da Australis, falou. E explicou detalhe a detalhe, t\u00e9cnica\n a t\u00e9cnica o que ia ser feito. De forma clara e sem vacilar. Dizia uma \nou duas frases em ingl\u00eas e as duas tradutoras revezavam-se a traduzir \npara portugu\u00eas. Quase tr\u00eas horas de explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que \u00e9 que a empresa vai fazer aqui, em Aljubarrota, a umas \ncentenas de metros da casa de Maria Celeste, que conhecemos no epis\u00f3dio \num?<\/p>\n\n\n\n<p>Vai ocupar uma \u00e1rea de 7.500 m2 para realizar um furo com uma \nprofundidade total de 3.200m. Depois de chegar t\u00e3o fundo a sonda sobe e a\n partir dos 2.130m desvia-se horizontalmente, fazendo um L, e estica-se \nat\u00e9 aos 700 metros de extens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas at\u00e9 isto acontecer h\u00e1 muito trabalho anterior. O projeto tem tr\u00eas fases.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na primeira<\/strong>, fazem-se os trabalhos de prepara\u00e7\u00e3o, \nconstru\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o do estaleiro e das infraestruturas associadas. \nNivela-se e compacta-se o terreno, para aguentar o peso da maquinaria, \ncobre-se o solo com uma manta geot\u00eaxtil e p\u00f3 de pedra, para que a terra \nn\u00e3o seja contaminada. Ou se usa \u00e1gua da rede ou pode ter se der fazer um\n furo de \u00e1gua artesiano, para alimentar todo o complexo, embora j\u00e1 haja \num no local.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Na etapa dois<\/strong> o processo \u00e9 mais complexo, porque \ncome\u00e7am as sondagens, que duram entre 90 e 120 dias. Nestes meses vai-se\n tentar chegar \u00e0s profundidades definidas. Esta fase faz-se passo a \npasso em etapas de perfura\u00e7\u00e3o, entubamento\/revestimento e cimenta\u00e7\u00e3o. \nCome\u00e7a-se por furar at\u00e9 uma profundidade de cerca 230 metros, com uma \nbroca de maior di\u00e2metro. Depois \u00e9 descido um tubo, que \u00e9 cimentado \u00e0 \nvolta. Supostamente, isto garante que os aqu\u00edferos subterr\u00e2neos at\u00e9 essa\n profundidade n\u00e3o s\u00e3o contaminados. O processo continua, de fora para \ndentro, como se fosse uma boneca russa, uma <em>matrioska<\/em>. Volta-se\n a perfurar, at\u00e9 uma maior profundidade, j\u00e1 dentro da sec\u00e7\u00e3o mais larga e\n isolada com uma nova broca de di\u00e2metro mais pequeno. Instala-se nova \ntubagem, ela volta a ser cimentada, vai-se mais fundo, assim \nsucessivamente at\u00e9 chegar aos 3.200 metros. Segundo a Australis haver\u00e1 \nsete camadas de prote\u00e7\u00e3o entre o veio do g\u00e1s e o subsolo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma vez feito o furo, come\u00e7am os testes iniciais<\/strong>. \nDurante uma semana deixa-se subir o que est\u00e1 nas profundezas. Separa-se \u00e0\n superf\u00edcie, num sistema fechado de atmosfera controlada, as lamas, \n\u00f3leos e \u00e1gua do g\u00e1s. E ele sobe torre acima, para ser queimado, numa \nt\u00e9cnica conhecida como <em>flaring<\/em> ou queima da tocha, em \nportugu\u00eas, cuja finalidade \u00e9 manter o po\u00e7o de g\u00e1s em seguran\u00e7a, a uma \npress\u00e3o constante e testar a qualidade do g\u00e1s. Se esses testes iniciais \ncorrerem bem come\u00e7a uma fase de testes de longo prazo, por um per\u00edodo \nestimado de seis meses. Se n\u00e3o se chegar aqui sela-se o furo com v\u00e1rios \ntamp\u00f5es de bet\u00e3o, desmonta-se tudo, faz-se a recupera\u00e7\u00e3o paisag\u00edstica e \nabandona-se o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isto \u00e9 muito explicado, com todos os detalhes e jarg\u00f5es \nespec\u00edficos da \u00e1rea. E se j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil entender isto em portugu\u00eas, \nquando at\u00e9 as tradutoras se atrapalhavam a traduzir os termos t\u00e9cnicos, \nimaginem ouvir isto em ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Que a Australis percebe do assunto, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas. Mas o povo de Aljubarrota, tem outras quest\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Claudia Cordeiro:<\/em><\/strong><em> If this is on your doorstep how would you feel?<br \/><\/em><strong><em>Tradutora:<\/em><\/strong><em>\n Se isto estivesse a ser proposto para a porta da sua casa, como est\u00e1 a \nser proposto para a porta da nossa casa, como \u00e9 que iria reagir? <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o Cl\u00e1udia Cordeiro, professora, residente em Aljubarrota h\u00e1 \n21 anos. Preocupa-se que este projeto venha p\u00f4r em causa o seu cantinho,\n o local tranquilo que escolheu para viver e envelhecer. Preocupa-a o \nbarulho, o aumento do tr\u00e2nsito com a circula\u00e7\u00e3o de cami\u00f5es, os impactos \nambientais numa regi\u00e3o j\u00e1 pejada de pedreiras, onde a ind\u00fastria \nextrativa prolifera. Fez quest\u00e3o de se dirigir a Ian Lusted em ingl\u00eas, \nmas a tradutora da sess\u00e3o teve de passar para portugu\u00eas as suas \npalavras, como ouvimos acima.<\/p>\n\n\n\n<p>E teve tamb\u00e9m de traduzir a resposta do chefe da Australis, para que toda a gente a entendesse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ian Lusted:<\/em><\/strong><em> I have an appreciation of the risks and i understand that if you don\u2019t have my experience base.<br \/><\/em><strong><em>Tradutora:<\/em><\/strong><em>\n Compreendo, por um lado, muito bem quais s\u00e3os os riscos. Mas tamb\u00e9m \ncompreendo que voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam o meu conhecimento e a minha experi\u00eancia. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ian Lusted:<\/em><\/strong><em> So, you can have a very different perception of the risks.<br \/><\/em><strong><em>Tradutora:<\/em><\/strong><em> A vossa perce\u00e7\u00e3o dos riscos \u00e9 completamente diferente da minha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ian lusted falou dos seus mais de 30 anos de experi\u00eancia na ind\u00fastria\n petrol\u00edfera e no facto de j\u00e1 ter vivido com a fam\u00edlia mesmo ao lado de \nlocais de produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, como quando morou no Brunei, um pa\u00eds na costa\n norte da ilha de Born\u00e9u, no Sudeste Asi\u00e1tico, antiga col\u00f3nia brit\u00e2nica,\n cuja economia depende em grande parte da explora\u00e7\u00e3o de petrol\u00edfera e \nonde se localiza uma importante refinaria de g\u00e1s no Pac\u00edfico Ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>E tamb\u00e9m fez promessas. Falou nos benef\u00edcios para a comunidade local.\n Disse que cada um dos furos deve custar cerca de 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares \namericanos \u2013 mais ou menos 8,9 milh\u00f5es de euros \u2013 e se acontecesse como \nnoutros locais onde t\u00eam furado, uma parte disso seria gasta ali mesmo, \nem Aljubarrota.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Ian Lusted: One to one and half million euros will be spent within the local community. <br \/>Tradutora: Um milh\u00e3o a um milh\u00e3o e meio \u00e9 gasto, despendido, na comunidade local. <\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas nada obriga a Australis a investir 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares no furo.\n O que os contratos dizem \u00e9 que a sondagem de pesquisa a executar tem de\n ter, pelo menos, \u201cum investimento estimado de dois milh\u00f5es de euros\u201d. \nPortanto, o impacto na comunidade por ser muito mais pequeno.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez porque quando a esmola \u00e9 demais o pobre desconfia, Paulo Ara\u00fajo, aljubarrotense, quis saber mais sobre os n\u00fameros:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Paulo Ara\u00fajo<br \/><\/em><\/strong><em>At\u00e9\n que ponto esta prefer\u00eancia pela economia local e pelas compras e \naquisi\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os a n\u00edvel local foi pensada e est\u00e1 devidamente \nnegociado ou se \u00e9 apenas uma coisa que se fala e depois na realidade, \nhavendo empresas locais que fa\u00e7am o servi\u00e7o ser\u00e1 simplesmente uma \nquest\u00e3o econ\u00f3mica e os servi\u00e7os e os produtos s\u00e3o adquiridos onde for \nmais barato, normalmente \u00e9 assim que acontece. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ian Lusted:<\/em><\/strong><em> The numbers I was quoting was from an analysis of the work that Mohave did when they were last in this area. <br \/><\/em><strong><em>Tradutora:<\/em><\/strong><em> Os n\u00fameros que eu referi diziam respeito a um estudo, aos dados recolhidos num estudo que foi realizado aqui na zona. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o vagos, n\u00e3o passam de uma estimativa baseada no \nanterior trabalho da Mohave e n\u00e3o havia nada decidido, em concreto. N\u00e3o \npor acaso, Ian Lusted referiu que Rui Machado, o atual respons\u00e1vel de \ncampo da Australis, que antes trabalhava para a Mohave, conhecia a zona e\n estava a fazer um levantamento das empresas com as quais poderiam vir a\n trabalhar, at\u00e9 porque teriam de indicar isso no Estudo de Impacto \nAmbiental.<\/p>\n\n\n\n<p>Lusted n\u00e3o se ficou por aqui. Anunciou que a Australis est\u00e1 em negocia\u00e7\u00f5es com o Governo para criar um <a href=\"https:\/\/regiaodecister.pt\/noticias\/australis-garante-contrapartidas-para-prospecao-de-gas\">sistema de royalties que beneficie as autarquias<\/a>,\n seja a c\u00e2mara de Alcoba\u00e7a, seja a Junta de Aljubarrota. Uma conversa \nagrad\u00e1vel aos ouvidos dos governantes locais eleitos ali presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente do munic\u00edpio, Paulo In\u00e1cio, do PSD, queria mesmo era a \ngarantia de que se avan\u00e7ar a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s a Australis muda a sede \nde Lisboa para Alcoba\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Paulo In\u00e1cio<br \/><\/em><\/strong><em>Se\n houvesse descoberta obviamente teria se ser no concelho de Alcoba\u00e7a e \ncomo tal a parte da derrama iria para o munic\u00edpio de Alcoba\u00e7a. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma reivindica\u00e7\u00e3o antiga, de h\u00e1 v\u00e1rios anos. Quando a Mohave e a Galp\n queriam furar ao lado do Mosteiro, em 2012, ele j\u00e1 defendia o que \ndefendeu nesta noite. Se isto acontecer, a derrama, um imposto municipal\n sobre o lucro tribut\u00e1vel das empresas que pode ir at\u00e9 1,5%, vai \ndireitinha para os cofres da autarquia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Paulo In\u00e1cio<\/em><br \/><\/strong><em>Mas\n para al\u00e9m dessas quest\u00f5es tem de haver outras contrapartidas para a \ncomunidade, contrapartidas para melhorar a sua qualidade de vida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 que esta ideia das contrapartidas e dos <em>royalties<\/em> sofre do mesmo mal de que padecem todas as promessas\u2026<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Paulo In\u00e1cio<br \/><\/strong>Mas n\u00e3o est\u00e1 absolutamente nada definido, nada\u2026 falado, relativamente, especificamente, relativamente ao assunto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Para j\u00e1, o que se sabe do que a Australis investiu em Portugal, vem dos seus pr\u00f3prios an\u00fancios. Num <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1zuPgw3Qf0u_b6BVb01Hh7hYT29ATdBlo\/view?usp=sharing\">comunicado enviado \u00e0s reda\u00e7\u00f5es<\/a>,\n em novembro passado, a empresa dizia que desde 2015 investiu \u201cmais de \n500.000 d\u00f3lares em trabalhos de estudo do subsolo\u201d. Este n\u00famero redondo \u2013\n perto de 450 mil euros \u2013 diz pouco, porque n\u00e3o se consegue perceber se \ntudo aquilo que a empresa tem de pagar ao Estado, nas datas a que est\u00e1 \nobrigada por contrato, tem sido liquidado.<\/p>\n\n\n\n<p>E como pod\u00edamos saber? Perguntando \u00e0 entidade que assinou os \ncontratos, a ENMC \u2013 Entidade Nacional para o Mercado de Combust\u00edveis. \nAcontece que em agosto passado, <a href=\"https:\/\/www.portugal.gov.pt\/pt\/gc21\/comunicacao\/noticia?i=governo-cria-entidade-para-fiscalizar-todo-o-sector-energetico\">o governo trocou o nome \u00e0 ENMC<\/a> \u2013 agora chama-se ENSE \u2013 Entidade Nacional para o Setor Energ\u00e9tico; e <a href=\"https:\/\/dre.pt\/web\/guest\/pesquisa\/-\/search\/116165764\/details\/maximized\">alterou-lhe as compet\u00eancias<\/a>:\n a este novo organismo cabe agora fiscalizar todo o setor energ\u00e9tico. Se\n fiscaliza, n\u00e3o pode promover. E assim, as compet\u00eancias de prospe\u00e7\u00e3o, \npesquisa e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural passaram para a \nDire\u00e7\u00e3o-Geral de Energia e Geologia \u2013 a DGEG. Nesta passagem de pasta, \ndesapareceu do site da defunta ENMC \u2013 <a href=\"http:\/\/www.ense-epe.pt\/quem-somos\/\">agora ENSE<\/a>\n \u2013 toda a informa\u00e7\u00e3o sobre pesquisa e explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s no \npa\u00eds. Neste momento, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma entidade p\u00fablica que disponibilize \nonline, de forma transparente e acess\u00edvel a qualquer cidad\u00e3 ou cidad\u00e3o, \ninforma\u00e7\u00f5es sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>Fizemos \u00e0 DGEG v\u00e1rias quest\u00f5es sobre o cumprimento dos contratos. Em \nnovembro de 2018 e mar\u00e7o de 2019 pedimos para consultar os processos que\n envolvem as concess\u00f5es Batalha e Pombal. A resposta, enviada no ano \npassado \u2013 a deste ano ainda n\u00e3o teve retorno \u2013 foi a seguinte: \u201c(\u2026) \nencontram-se no arquivo t\u00e9cnico-cient\u00edfico, de momento n\u00e3o dispon\u00edvel, \npois encontra-se a decorrer o processo de transfer\u00eancia (\u2026) da ent\u00e3o \nENMC, E. P. E. para a DGEG.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem tudo ficou por esclarecer. Por exemplo, quando perguntamos: \n\u201cQuanto foi pago at\u00e9 hoje, ao Estado Portugu\u00eas, pela Australis Oil &amp;\n Gas Portugal, Sociedade Unipessoal Lda, em virtude dos contratos \nassinados \u2013 Pombal e Batalha (discriminado por contrato)?\u201d a DGEG \ninformou que \u201cEm ambos os contratos foram pagas Rendas de Superf\u00edcie e \nTaxas previstas na lei, bem como as contrapartidas previstas em \ncontrato\u201d. Ou seja, continuamos sem ter um n\u00famero. N\u00e3o sabemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fazendo as contas ao que est\u00e1 previsto nos contratos, at\u00e9 ao final do\n ano 4 (que termina a 30 de setembro 2019) a Australis tem de ter \nentregue ao Estado Portugu\u00eas: \u20ac188.250 em rendas de superf\u00edcie e 248 mil\n em contrapartidas. Se a isto juntarmos os 20 mil euros pagos, em 2015, \npela celebra\u00e7\u00e3o de cada contrato chegamos a um total de 476.250 euros. \nPelo menos isto ter\u00e1 de entrar nos cofres do Estado Central. Olhando \napenas para o que consta nos contratos e excluindo outro tipo de taxas, \nlicen\u00e7as ou procedimentos administrativos, o Estado chega ao final do \nano quatro sem ter recebido, sequer, meio milh\u00e3o de euros pelos dois \ncontratos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em Aljubarrota, fazem-se contas a outros ros\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No deve e no haver do que fica na comunidade foi Ana Grave, Vogal da \nJunta de Freguesia fez a conversa descer \u00e0 terra. Queria saber o que a \nempresa vai fazer aos detritos resultantes do furo. Por detritos, \nentenda-se, \u00e0s \u00e1guas, lamas, e demais res\u00edduos resultantes de uma \nopera\u00e7\u00e3o de pode levar v\u00e1rios meses e trar\u00e1 \u00e0 terra dezenas de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ana Grave<br \/><\/em><\/strong><em>Onde,\n como, por quem para onde \u00e9 que eles v\u00e3o? Porque eles s\u00e3o produzidos \naqui, mas t\u00eam de ir para algum lado. Upsss\u2026 espero que n\u00e3o seja para \ncima de cima de mim, embora v\u00e1 levar com eles, provavelmente. Era s\u00f3, \nmuito obrigada. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ian Lusted garantiu que tudo teria de ser explicado e definido no \nEstudo de Impacto Ambiental \u2013 desde o fim a dar \u00e0s rochas extra\u00eddas at\u00e9 \nao que fazer aos esgotos das casas de banho \u2013 bem como que empresas iam \ncontratar para tratar desses assuntos. N\u00e3o disse, por exemplo, que tipo \nde fluidos v\u00e3o ajudar as brocas a entrar terra adentro. S\u00f3 depois de \nfeito o Estudo de Impacto ambiental se saber\u00e1 se estes fluidos ser\u00e3o \u00e0 \nbase de \u00e1gua ou de \u00f3leo e que tipo de qu\u00edmicos os v\u00e3o constituir. Mas o \ncerto \u00e9 que v\u00e3o originar muitas lamas \u2013 como aquelas invadiram os \npomares do Henrique e da Maria, no Mogo, de que fal\u00e1mos no epis\u00f3dio 1 \u2013 e\n por isso tem de ser constru\u00edda uma lagoa imperme\u00e1vel para depositar \ntodos esses l\u00edquidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>PARTE III \u2013 \u00c1GUA<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Naquela noite fria e h\u00famida de janeiro, em Aljubarrota, falou-se \npouco de \u00e1gua. Talvez porque ainda era inverno. Talvez porque ainda n\u00e3o \nestivesse claro que no primeiro m\u00eas do ano a quase totalidade do \nterrit\u00f3rio continental j\u00e1 estava numa situa\u00e7\u00e3o de seca moderada ou \nfraca. <a href=\"http:\/\/www.ipma.pt\/resources.www\/docs\/im.publicacoes\/edicoes.online\/20190228\/pZNsmIJcysQstzQdTruF\/cli_20190101_20190131_pcl_mm_co_pt.pdf\">Segundo<\/a>\n o Instituto Portugu\u00eas do Mar e da Atmosfera (IPMA) \u201co valor m\u00e9dio da \nquantidade de precipita\u00e7\u00e3o, correspondeu a cerca de 50% do valor normal,\n sendo o 6.\u00ba janeiro mais seco desde 2000\u201d. No final de fevereiro, <a href=\"http:\/\/www.ipma.pt\/resources.www\/docs\/im.publicacoes\/edicoes.online\/20190304\/GluUfcXhSQYuvCXlIIGN\/cli_20190201_20190228_pcl_mm_co_pt.pdf\">piorou<\/a>,\n \u201cverificou-se um aumento da \u00e1rea em seca em rela\u00e7\u00e3o ao final de \njaneiro, com todo o territ\u00f3rio em seca meteorol\u00f3gica\u201d. No final de \nmar\u00e7o, a situa\u00e7\u00e3o agravou-se ainda mais: 16.8 % do continente estava em \nsitua\u00e7\u00e3o de seca fraca, 45.1 % em seca moderada, 37.6 % em seca severa e\n 0.5 % em seca extrema, <a href=\"http:\/\/www.ipma.pt\/resources.www\/docs\/im.publicacoes\/edicoes.online\/20190402\/TYSULVtvALhYdIDRXQsx\/cli_20190301_20190331_pcl_mm_co_pt.pdf\">mediu<\/a> o IPMA.<\/p>\n\n\n\n<p>E, em per\u00edodos de seca, olha-se para o uso da \u00e1gua de outra forma. O consumo<\/p>\n\n\n\n<p>de \u00e1gua estimado para o furo de prospe\u00e7\u00e3o de Aljubarrota \u00e9 de at\u00e9 6 \n000 m3 para todas as fases do projeto. Seis mil metros c\u00fabicos s\u00e3o seis \nmilh\u00f5es de litros de \u00e1gua. Se tivermos em conta que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2018\/03\/17\/sociedade\/noticia\/cada-consumidor-gasta-em-media-187-litros-de-agua-por-dia-1807022\">o consumo m\u00e9dio di\u00e1rio de \u00e1gua por habitante<\/a>,\n em 2016, \u00e9 de 187 litros, chegamos \u00e0 conclus\u00e3o que se gastar\u00e1 no furo \nda Australis a \u00e1gua que cerca de 32 mil pessoas utilizam num dia. Mais \nde metade da popula\u00e7\u00e3o do concelho de Alcoba\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Maria do Carmo Martins<br \/><\/em><\/strong><em>Quando\n ouvimos falar deste tipo de investimento e do impacto, \u00e9 assim, eu acho\n que h\u00e1 um impacto tremendo que isso pode ter, a n\u00edvel ambiental, sem \nd\u00favida nenhuma, e a n\u00edvel da agricultura da regi\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 Maria do Carmo Martins, a secret\u00e1ria-Geral do Centro Operativo e Tecnol\u00f3gico Hortofrut\u00edcola Nacional \u2013 <a href=\"https:\/\/www.cothn.pt\/\">COTHN<\/a>.\n Esta associa\u00e7\u00e3o privada, sem fins lucrativos, faz a liga\u00e7\u00e3o entre as \nuniversidades e polit\u00e9cnicos, os seus centros de investiga\u00e7\u00e3o e as \nassocia\u00e7\u00f5es de produtores hortofrut\u00edcolas \u2013 a ideia \u00e9 que o conhecimento\n cient\u00edfico chegue a quem precisa dele para melhor produzir. A sede fica\n mesmo \u00e0 entrada de Alcoba\u00e7a, perto do Museu do Vinho, a sete minutos de\n carro do local do furo de Aljubarrota. Fui bater-lhe \u00e0 porta em \noutubro. J\u00e1 tinha ouvido falar no assunto, mas at\u00e9 aquela data ningu\u00e9m \ntinha contactado diretamente a associa\u00e7\u00e3o. Como quase toda a gente, \nestava preocupada. Sobretudo por causa da \u00e1gua, ou melhor, da falta \ndela.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Maria do Carmo Martins: <\/em><\/strong><em>H\u00e1\n furos que secaram pura e simplesmente, e para encontrar \u00e1gua, j\u00e1 n\u00e3o se\n consegue \u00e1gua \u00e0s mesmas profundidades que se conseguiam aqui h\u00e1 cinco \nou h\u00e1 dez anos atr\u00e1s. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> E isso \u00e9 feedback\u2026 <br \/><\/em><strong><em>Maria do Carmo Martins: <\/em><\/strong><em>\u00c9 feedback dos produtores.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O excesso de furos de \u00e1gua feitos na regi\u00e3o, seja para uso agr\u00edcola, \ndom\u00e9stico ou industrial tem provocado problemas de disponibilidade para a\n pr\u00f3pria agricultura, porque o n\u00edvel de \u00e1gua subterr\u00e2nea desceu muito. \nAo mesmo tempo, porque se cultiva em terrenos muito perto da costa, se \nos n\u00edveis de \u00e1gua descem no subsolo, a infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua salgada pode \ntornar-se um problema.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Maria do Carmo Martins: <\/em><\/strong>Portanto,\n al\u00e9m de termos um problema de quantidade, nesta altura, temos tamb\u00e9m um\n problema de qualidade da pr\u00f3pria \u00e1gua. Que nesta altura j\u00e1 come\u00e7a a ter\n um n\u00edvel de sais elevados que pode, nalgumas quest\u00f5es, ser limitante \npara a utiliza\u00e7\u00e3o na parte agr\u00edcola.<br \/><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong> Portanto a utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua para furar e para fazer aquela explora\u00e7\u00e3o pode ser conflitante com\u2026<br \/><strong><em>Maria do Carmo Martins: <\/em><\/strong>Completamente,\n sem d\u00favida nenhuma, sem d\u00favida nenhuma que pode. Eu acho que \u00e9 mais um \nproblema que estas regi\u00f5es v\u00e3o ter e realmente a \u00e1gua, nesta altura, n\u00e3o\n se pode pensar\u2026 Nenhum agricultor, nenhum produtor, nenhum empres\u00e1rio \nque se queira dedicar \u00e0 parte agr\u00edcola pode sequer\u2026 J\u00e1 n\u00e3o se pode \npensar no sequeiro, isso \u00e9 imposs\u00edvel. Tem de se ter rega.<\/p>\n\n\n\n<p>Para produzir, \u00e9 preciso \u00e1gua. E no Oeste, produzem-se duas estrelas das exporta\u00e7\u00f5es nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Maria do Carmo Martins<br \/><\/strong>Esta\n regi\u00e3o \u00e9 uma regi\u00e3o em que o setor agr\u00edcola tem um peso importante, n\u00f3s\n estamos no cora\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o da Ma\u00e7\u00e3 de Alcoba\u00e7a e n\u00e3o s\u00f3, temos aqui\n tamb\u00e9m a p\u00eara, a p\u00eara rocha tamb\u00e9m \u00e9 produzida aqui em termos de \nfruticultura.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Jo\u00e3o Vinagre, o nosso guia de servi\u00e7o, n\u00e3o tem muita f\u00e9 nos grandes \nagricultores. Mas pensa que s\u00f3 eles t\u00eam for\u00e7a para travar a explora\u00e7\u00e3o \nde g\u00e1s na zona oeste.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre:<\/em><\/strong><em> S\u00e3o os \u00fanicos que t\u00eam for\u00e7a suficiente para a press\u00e3o pol\u00edtica.<br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Os produtores de p\u00eara, de fruta. <br \/><\/em><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre:<\/em><\/strong><em>\n Claro, s\u00e3o os \u00fanicos que t\u00eam for\u00e7a suficiente para pressionar o \nsuficiente uma C\u00e2mara para tomar uma decis\u00e3o de \u201csim\u201d ou \u201cn\u00e3o\u201d. Que \u00e9 o \nque os agricultores tentam fazer no Canad\u00e1 e na Inglaterra, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Sabe que \u00e9 dif\u00edcil isto acontecer em Portugal. Muito dif\u00edcil, na \nverdade. H\u00e1 anos que trabalha na apanha da fruta, conhece o pensar dos \ngrandes latifundi\u00e1rios e produtores. Sabe que eles sabem que n\u00e3o haveria\n p\u00eara rocha ou ma\u00e7\u00e3 de alcoba\u00e7a nos supermercados ingleses sem petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/em><\/strong><em>Sem\n petr\u00f3leo n\u00e3o vai haver trabalho, n\u00e3o consegues fazer agricultura, n\u00e3o \n\u00e9. E estares a dizer \u00e0s pessoas que temos de acabar com o petr\u00f3leo, numa\n sociedade que \u00e9 completamente dependente do petr\u00f3leo. 80% do mundo \nfunciona a energia f\u00f3sseis. E vais a uma aldeia e ainda \u00e9 pior, porque \nsem tratores n\u00e3o tens agricultura, n\u00e3o \u00e9? N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mesmo num debate \ncom uma petrol\u00edfera, estares a dizer \u00e0quela pessoa que eles est\u00e3o a \nengan\u00e1-lo. Porque h\u00e1 pessoas que ganharam muito dinheiro com o avan\u00e7o \ntecnol\u00f3gico e com o petr\u00f3leo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E tamb\u00e9m sabe que sem gente nas ruas, nada muda.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Jo\u00e3o Vinagre<br \/><\/strong>O \nque n\u00e3o existe em Portugal, tamb\u00e9m, que nunca existiu \u2013 existiu, a n\u00edvel\n pol\u00edtico, e depois foi completamente reprimido e apagado da hist\u00f3ria \u2013 \u00e9\n movimentos que se mexam nas ruas. Por exemplo, na Europa, as coisas n\u00e3o\n t\u00eam parado\u2026 s\u00f3 t\u00eam parado nos Congressos e nas Assembleias depois da \npopula\u00e7\u00e3o ocupar espa\u00e7o, depois da popula\u00e7\u00e3o ocupar ruas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez o Jo\u00e3o Vinagre tenha de ir \u00e0 Bajouca e \u00e0s aldeias \u00e0 volta da \n\u00e1rea onde a Australis quer furar. Aqui, a popula\u00e7\u00e3o quer saber mais, \nprocura conhecimento e pretende ocupar as ruas\u2026<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PARTE IV \u2013 VALE DA PEDRA<\/h2>\n\n\n\n<p>16 de dezembro de 2018. Estou no Vale da Pedra, uma aldeia que \npertence \u00e0 uni\u00e3o de freguesias de Souto da Carpalhosa e Ortigosa, que \nfaz fronteira com a Bajouca. Passam alguns minutos da 09h00 da manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Ol\u00e1 Catarina.<br \/><strong>Catarina Gomes:<\/strong> Ol\u00e1 Pedro, ent\u00e3o?<br \/><strong>Cristina Bail\u00e3o:<\/strong> Ol\u00e1.<br \/><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Est\u00e1s boa?<strong>Catarina Gomes:<\/strong> J\u00e1 est\u00e1s pronto? \u00c9 a Cristina.<br \/><strong>Cristina Bail\u00e3o:<\/strong> Ol\u00e1.<br \/><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Tudo bem Cristina?<br \/><strong>Cristina Bail\u00e3o:<\/strong> Prazer.<br \/><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Pedro Santos, do Fuma\u00e7a, sou jornalista.<br \/><strong>Cristina Bail\u00e3o:<\/strong> Fuma\u00e7a?<br \/><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Sim.<br \/><strong>Cristina Bail\u00e3o:<\/strong> Que giro.<br \/><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> E a Cristina \u00e9 de onde?<br \/><strong>Catarina Gomes:<\/strong> \u00c9 aqui.<br \/><strong>Cristina Bail\u00e3o:<\/strong> Eu sou daqui, sou da Bou\u00e7a de C\u00e1, onde v\u00e3o fazer o furo.<br \/><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Ahhh boa.<br \/><strong>Cristina Bail\u00e3o:<\/strong> Estou a 300 metros.<br \/>(\u2026)<br \/><strong>Catarina Gomes:<\/strong>\n Mas andaram, eles andaram a fazer um trabalho incr\u00edvel, andaram por \nestas aldeias todas a distribuir porta a porta. Este \u00e9 o Marco, que \u00e9 um\n dos dinamizadores do evento.<br \/><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Ol\u00e1 Marco, tudo bem?<br \/><strong>Marco Domingues<\/strong>: Tudo bem?<br \/><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> A que horas \u00e9 que v\u00e3o come\u00e7ar, fazes ideia?<br \/><strong>Marco Domingues:<\/strong> 10h00, 10h30.<\/p>\n\n\n\n<p>Estamos no Sal\u00e3o Paroquial, mesmo no centro da aldeia. Do outro lado \nfica a capela do Senhor Jesus dos Aflitos. Ampliada e restaurada em \n1992, mas que D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, \u00e0 \u00e9poca Bispo de \nLeiria-F\u00e1tima, s\u00f3 benzeu e inaugurou em 1997. Parece mais uma igreja que\n uma capela e, l\u00e1 dentro, celebra-se a missa dominical.&nbsp; Entro. A capela\n estava cheia, as pessoas comungaram e, no final, o padre tinha uma \naviso importante para fazer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Padre<br \/><\/em><\/strong><em>Sabemos\n que se est\u00e1 a preparar para fazer explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s aqui na Bajouca ali\n no sal\u00e3o est\u00e1 um grupo a receber assinaturas contra esta explora\u00e7\u00e3o. \nClaro n\u00f3s n\u00e3o estamos informados sobre isso, por isso, fa\u00e7am favor, quem\n quiser, naturalmente, de passar, perguntar, questionar-se. Havendo, \nouvi dizer, que acho que h\u00e1 essa possibilidade, de contamina\u00e7\u00e3o das \n\u00e1guas, claro <\/em>que vai afetar a nossa regi\u00e3o tamb\u00e9m, por isso mesmo estar\u00e1 algu\u00e9m certamente para, com entusiasmo, dar as suas ideias.<br \/><em>(\u2026)<br \/><\/em><em>O\n senhor esteja convosco. Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s. Aben\u00e7oe-vos Deus todo \nPoderoso, Pai, Filho e Esp\u00edrito Santo. \u00c1men. Bom domingo a todos e que a\n paz do Senhor vos acompanhe. Gra\u00e7as a Deus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E as gentes l\u00e1 foram, em dire\u00e7\u00e3o ao sal\u00e3o paroquial para assinar uma \npeti\u00e7\u00e3o contra o furo e passar a manh\u00e3 a discutir sobre o que se iria \npassar ali a menos de 3 quil\u00f3metros. Dentro do pavilh\u00e3o havia duas \nfaixas, com as frases \u201cContamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua n\u00e3o\u201d e \u201cNem fracking, nem \nconvencional. Renov\u00e1veis sim\u201d. Em\u00edlia Ramalhais Domingues, moradora \nlocal, foi l\u00e1 para dar o seu apoio \u00e0 causa.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Em\u00edlia Domingues:<\/strong> \nVejo que as pessoas est\u00e3o preocupadas com as \u00e1guas e com o ambiente e \ncom os barulhos, talvez, n\u00e3o sei. Eu n\u00e3o \u2018tou a ser muito bem informada,\n por isso \u00e9 que n\u00e3o posso explicar muita coisa.<\/em><br \/><em><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Pois, pois, mas veio aqui procurar essa informa\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/><em><strong>Em\u00edlia Domingues:<\/strong>\n Sim, sim, sim em princ\u00edpio dar a assinatura que n\u00e3o estou de acordo. \n\u2018Tou a ver que isto n\u00e3o \u00e9 coisa boa, mas o que \u00e9 realmente n\u00e3o sei.<\/em><br \/><em><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> E vai haver agora uma sess\u00e3o de esclarecimento, vai ficar c\u00e1 para ver?<\/em><br \/><em><strong>Em\u00edlia Domingues:<\/strong>\n Olhe n\u00e3o, porque o meu marido fez ontem anos e tenho l\u00e1 a casa cheia. \nOs meus netos vieram ontem da Alemanha, de prop\u00f3sito e aquela coisa \ntoda. De maneira que n\u00e3o posso aqui estar, mas gostava de estar.<\/em><br \/><em><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Tem que ir tratar da fam\u00edlia.<\/em><br \/><em><strong>Em\u00edlia Domingues:<\/strong> Tenho, mas se calhar ainda por aqui passo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Que eu tivesse visto n\u00e3o passou. Mas \u00e9 bem poss\u00edvel que tenha ido a \numa das v\u00e1rias reuni\u00f5es que as gentes da e \u00e0 volta da Bajouca t\u00eam \norganizando. Desde o encontro que a Australis organizou em Leiria, no \nhotel Eurosol, s\u00f3 para presidentes de c\u00e2mara e junta e ambientalistas, \nno final de outubro \u2013 que os sinos tocaram a rebate. Soube-se que \nhaveria aqui um furo e o povo foi espalhando a palavra, come\u00e7ou a \nprocurar informa\u00e7\u00f5es, a falar com ativistas e a organizar sess\u00f5es de \nesclarecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira aconteceu logo um m\u00eas depois, a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/255445765152727\/\">30 de novembro<\/a>,\n na Associa\u00e7\u00e3o Bajouquense para o Desenvolvimento \u2013 ABAD. A ABAD \u00e9 a \norganiza\u00e7\u00e3o defensora da natureza da freguesia, gere um espa\u00e7o chamado \nParque Natural do Pis\u00e3o, onde h\u00e1 um parque de lazer, um moinho movido \npelas \u00e1guas de um ribeiro, as ru\u00ednas de um forno de cal. O orgulho dos \nBajouquenses.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, as instala\u00e7\u00f5es da associa\u00e7\u00e3o s\u00e3o num grande terreno, com \npinhal e onde a ABAD construiu um enorme pavilh\u00e3o polivalente que \u00e9 a \nsala de visitas da freguesia. No <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/events\/255445765152727\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dia 30 de novembro<\/a>, pelas 21h00 a sala encheu-se com centenas de pessoas para ouvir os ativistas anti-explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jairo Dias<br \/><\/em><\/strong><em>Vendo\n que ningu\u00e9m sabia de nada, achei que deveria tomar uma iniciativa e dar\n a conhecer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o mais r\u00e1pido poss\u00edvel, que isto \u00e9 um assunto de\n extrema gravidade e n\u00e3o poderia ficar parado, sem fazer nada. \nRapidamente isto tomou propor\u00e7\u00f5es gigantescas. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 Jairo Dias, que dinamizou o encontro e se tornou uma das caras\n da resist\u00eancia local ao furo. \u00c9 da freguesia vizinha, mas vai mudar-se \npara a Bajouca. Tem sido das pessoas mais ativas na dinamiza\u00e7\u00e3o destas \nsess\u00f5es p\u00fablicas aqui na zona. Tem 33 anos, \u00e9 engenheiro. Com ele na \nsess\u00e3o estiveram os suspeitos dos costume: Catarina Gomes, do Movimento \ndo Centro contra a Explora\u00e7\u00e3o do G\u00e1s e da Campanha Linha Vermelha, da \nAcademia Cidad\u00e3; Lu\u00eds Fazendeiro da Plataforma Algarve Livre de \nPetr\u00f3leo, do Algarve veio tamb\u00e9m Laurinda Seabra da ASMAA, Nicole \nOliveira, da 350.org \u2013 <a href=\"https:\/\/fumaca.pt\/nicole-oliveira-o-brasil-esta-a-venda\/\">que j\u00e1 aqui entrevist\u00e1mos no Fuma\u00e7a<\/a> \u2013 e, ainda, Ricardo Vicente, do Peniche Livre de Petr\u00f3leo. Falaram dos perigos da explora\u00e7\u00e3o, de <em>fracking<\/em>, das consequ\u00eancias ambientais provocadas pela ind\u00fastria dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, mundo fora, de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa sess\u00e3o n\u00e3o foi suficiente. No Vale da Pedra, aldeia ali ao \nlado, mesmo sendo noutra freguesia, o furo da Bajouca tamb\u00e9m n\u00e3o deixava\n ningu\u00e9m dormir. Por isso era preciso juntar toda a gente. E Marco \nDomingues, que cumprimentei mal cheguei ao sal\u00e3o paroquial, resolveu \nfazer alguma coisa e auto-organizar uma reuni\u00e3o. Pediu ajuda a Cristina \nBail\u00e3o e a Jairo Dias e juntou mais amigos. Fez uns panfletos a anunciar\n o evento e p\u00f4s m\u00e3o \u00e0 obra, que era preciso avisar a malta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Marco Domingues:<\/em><\/strong><em>\n N\u00e3o fui s\u00f3 eu. Fomos uma equipa. Eu fiz o Vale da Pedra, de Baixo; fiz \nJ\u00e3 da Rua mais um grupo, tamb\u00e9m; andei nas Relvinhas e na Camarneira, \ndepois houve outros grupos que fizeram. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Mas quantos panfletos distribu\u00edram, tens no\u00e7\u00e3o?<br \/><\/em><strong><em>Marco Domingues:<\/em><\/strong><em> Aproximadamente\u2026 porque depois tamb\u00e9m demos uns para umas terras \u00e0 volta, 400.<br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Foram a quase todas as casas do lugar?<br \/><\/em><strong><em>Marco Domingues:<\/em><\/strong><em>\n Todas as casas. N\u00f3s n\u00e3o olhamos para uma casa e dissemos \u2018ah, esta \nn\u00e3o\u2019. Mesmo em casas sem caixa de correio, entregamos por debaixo de um \nport\u00e3o, por debaixo de uma porta, no para-brisas de um carro, quando n\u00e3o\n estava a chover. Tentar informar ao m\u00e1ximo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E as pessoas vieram. Talvez umas 150 almas para ouvir, perguntar, discutir.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Catarina Gomes<br \/><\/em><\/strong><em>Bom\n dia a todos. Eu sou a Catarina, sou do Movimento do Centro contra a \nExplora\u00e7\u00e3o do G\u00e1s. Sou da Marinha Grande e vivo em Alcoba\u00e7a. E estou \naqui hoje a convite do Marco, da Cristina e do Jairo, da Bajouca, que \ntamb\u00e9m h\u00e1-de vir c\u00e1 \u2013 para falar-vos um pouco do que vai acontecer aqui \nna Bajouca e o que tamb\u00e9m est\u00e1 a acontecer em Aljubarrota, que \u00e9 em \nAlcoba\u00e7a, tudo na mesma regi\u00e3o\u2026 <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma manh\u00e3, no m\u00ednimo, animada. Catarina Gomes falou das inten\u00e7\u00f5es\n da Australis e das raz\u00f5es que levam os ambientalistas a ser contra o \nprojeto: a eventual contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, a emiss\u00e3o de gases de efeito\n de estufa, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, as poucas vantagens econ\u00f3micas \npara a terra e para o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo, tinha muitas perguntas, d\u00favidas, receios. Falou-se de tudo e \nmais alguma coisa: acidentes, doen\u00e7as, no fim das abelhas, nos desastres\n nucleares de Chernobyl e Fukushima, nas descargas das f\u00e1bricas de \ncelulose no rio Tejo, no custo das energias renov\u00e1veis ou no risco de \npolui\u00e7\u00e3o do ar e das \u00e1guas das ribeiras da regi\u00e3o. Falou-se da \nnecessidade de ouvir a outra parte, a empresa. Que explica\u00e7\u00f5es teria a \nAustralis a dar?<\/p>\n\n\n\n<p>E tamb\u00e9m se questionou a falta de posicionamento da junta local, a \nUni\u00e3o das freguesias do Souto da Carpalhosa e Ortigosa, que ainda n\u00e3o \ntinha dito publicamente se era contra ou a favor dos furos. De tal forma\n que a presidente \u2013 Eul\u00e1lia Crespo, eleita pelo PSD \u2013 que assistia na \nplateia e at\u00e9 tinha emprestado o projetor para se fazer a apresenta\u00e7\u00e3o e\n deixado fotocopiar os panfletos que se andaram a distribuir \u2013 saiu a \nmeio, sentida com as cr\u00edticas. Nada que tivesse deixado preocupado Marco\n Domingues. Estava seguro das suas raz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Marco Domingues<br \/><\/em><\/strong><em>A nossa mensagem foi bem passada, o povo est\u00e1 alerta e vamos lutar contra isto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 seguro dizer que a maioria das pessoas na sala estava, no m\u00ednimo, \nmuito desconfiada e n\u00e3o houve ningu\u00e9m a defender em voz alta a \nexplora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s. Mas v\u00e1rias vozes sugeriram que era preciso ouvir os \nargumentos da petrol\u00edfera.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Marco Domingues<br \/><\/em><\/strong><em>Em\n termos da Australis, eu duvido muito que a Australis alguma vez apare\u00e7a\n aqui algu\u00e9m para esclarecer algu\u00e9m, porque eles j\u00e1 t\u00eam os contratos na \nm\u00e3o. Ponto final, n\u00e3o v\u00eam aqui para convencer ningu\u00e9m. (Popular) E se \naparecer a gente corre-os daqui. [Risos]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas Marco estava enganado\u2026<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>PARTE VI \u2013 BAJOUCA<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong><em>Helena Silva<br \/><\/em><\/strong><em>Senhoras\n e senhores, boa noite. Eu pedia que, entretanto, fossem ocupando os \nvossos lugares. Dentro de 2 ou 3 minutos gostar\u00edamos de dar in\u00edcio a \nesta sess\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Australis foi mesmo \u00e0 Bajouca. Ter\u00e7a-feira, 29 de janeiro, um dia \ndepois da sess\u00e3o de esclarecimento em Aljubarrota, a petrol\u00edfera \naustraliana levou a sua equipa e tinha a popula\u00e7\u00e3o em peso no sal\u00e3o da \nABAD. Marcada para as 21h00 a sala encheu-se num repente. Certamente \nmais de 500 pessoas passaram por ali durante as mais de quatro horas que\n durou o encontro. N\u00e3o havia cadeiras para sentar tanto povo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Helena Silva<br \/><\/em><\/strong><em>Aquilo\n que eu pe\u00e7o \u00e9 que as pessoas que queiram colocar as suas perguntas se \ndirijam ao microfone uma vez que somos muitos, a sala est\u00e1 cheia eu vou \npedir que tenham alguma conten\u00e7\u00e3o em termos de tempo. (\u2026) Depois o Ian e\n os restantes elementos da mesa estar\u00e3o dispon\u00edveis para responder \u00e0s \nvossas quest\u00f5es. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A petrol\u00edfera australiana foi ali dizer exatamente o mesmo que tinha \ndito no dia anterior perante o povo de Aljubarrota. O discurso estava \nmais oleado, as tradutoras enganaram-se menos e s\u00f3 os detalhes relativos\n \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o mudaram: aqui a profundidade do furo seria maior, chegar\u00e1\n aos 4.350 metros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"768\" width=\"1024\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/fumaca.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/Australis-Bajouca-1024x768.jpg?resize=1024%2C768&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2903\"\/><figcaption> <br \/>\n Equipa Australis na sess\u00e3o de esclarecimento realizada na Bajouca, no \nsal\u00e3o da ABAD, a 29 de janeiro: Ian Lusted, Vasco Taborda, Rui Machado e\n Paula Gonzalez, da ERM, a consultora que coordena os Estudos de Impacte\n Ambiental. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas nesta noite houve uma coisa bem diferente: o povo. A massa de que\n se fazem as e os Bajouquenses parece ser outra. E se alguma vez houve \numa padeira em Aljubarrota a expulsar invasores, poderia bem dizer-se \nque ela se tinha mudado para a Bajouca, onde a popula\u00e7\u00e3o recebeu a \nequipa da Australis de forma bastante dura.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobretudo quando a petrol\u00edfera falou em contrapartidas e benef\u00edcios \necon\u00f3micos, nos tais 1 milh\u00e3o a 1.5 milh\u00e3o de euros que poder\u00e3o ficar \nnas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ars\u00e9nio Capela<br \/><\/em><\/strong><em>Todo\n o dinheiro que est\u00e1 investido nesse po\u00e7o, est\u00e1 a comprar uma guerra com\n este Povo todo. Uma guerra que voc\u00ea vai pagar para sair. Eu s\u00f3 quero \nque seja franco, no risco, porque n\u00e3o \u00e9 com esse dinheiro que nos est\u00e1 a\n oferecer, que a gente se vai vender. E tenha consci\u00eancia que na pr\u00f3xima\n sess\u00e3o n\u00e3o vai ser t\u00e3o calma, possivelmente, vai ter mais oposi\u00e7\u00e3o. Eu \nda minha parte vejo que voc\u00eas v\u00eam aqui para tentar-nos comprar. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das interven\u00e7\u00f5es mais assertivas e duras da noite partiu de \nArs\u00e9nio Capela, bajouquense, na casa dos 30 anos. Quis que empresa \npercebesse que n\u00e3o era bem-vinda \u00e0 Bajouca. E deixou-o bem claro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ars\u00e9nio Capela<br \/><\/em><\/strong><em>Eu\n quero saber qual \u00e9 o meu risco. Se o meu risco for algum eu considero \nque est\u00e1-me a tentar eliminar a minha fam\u00edlia. A gente vai tomar as \nmedidas que forem necess\u00e1rias para nos defendermos, tenha isso em \nconsidera\u00e7\u00e3o. Obrigado, boa noite. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o s\u00f3 se dirigiu assim a Ian Lusted, presidente da Australis, \ndurante a apresenta\u00e7\u00e3o, como no final foi diretamente falar com ele, \nrepetindo-lhe cara-a-cara tudo o que j\u00e1 tinha dito perante os seus \nconterr\u00e2neos. Falei com ele depois disso.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Pedro Miguel Santos:<\/strong> Tu disseste palavras muito fortes, quase em tom de amea\u00e7a, dizendo que\u2026<\/em><br \/><em><strong>Ars\u00e9nio Capela: <\/strong>N\u00e3o\n foi em tom de amea\u00e7a, foi uma constata\u00e7\u00e3o. Porque ele vem para o nosso \nlugar, ele tem que se p\u00f4r no nosso lugar. \u00c9 a nossa terra. N\u00f3s vamos \ndefender o nosso bem-estar, dos nossos filhos, das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es \nindependentemente de n\u00f3s termos de fazer frente\u2026 N\u00e3o estou a dizer que \nseja violento mas vamos sempre marcar esta posi\u00e7\u00e3o, que somos contra. E \nele tem de sentir isso, porque se ele n\u00e3o sentir isso basicamente n\u00f3s \nn\u00e3o estamos a ser transparentes. E queremos dizer-lhe que ele \u00e9 bem \nrecebido para comer \u00e0 nossa mesa, mas n\u00e3o para furar na nossa terra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A sess\u00e3o tinha come\u00e7ado calma. As pessoas foram para ouvir, mas \u00e0 \nmedida que o tempo foi passando a popula\u00e7\u00e3o ficou mais hostil. Gritos, \napupos, uhhhhhss. E j\u00e1 nada do que algu\u00e9m da Australis dissesse era \nrealmente ouvido. Se Ars\u00e9nio marcou a sua posi\u00e7\u00e3o. Jos\u00e9 Lu\u00eds, que mora a\n um quil\u00f3metro do local do furo, gritou-a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jos\u00e9 Lu\u00eds <br \/><\/em><\/strong><em>Voc\u00eas\n n\u00e3o fazem dos outros burros, est\u00e1 a perceber?! Explica\u00e7\u00f5es, explicar a\u00ed\n a grossura de tudo\u2026 Isso pode rebentar tudo. Isso pode rebentar tudo. \n(\u2026) E a minha casa fica a um quil\u00f3metro, rebenta casa, rebenta tudo. E \ndos meus vizinhos tamb\u00e9m. [gritos] Mas a Australis n\u00e3o rebenta, a \nAustralis n\u00e3o rebenta. Porque eles levam o dinheiro para l\u00e1 e n\u00e3o \nrebentam, v\u00eam para c\u00e1 buscar o dinheiro. N\u00e3o, ao p\u00e9 da minha casa nunca \nvai haver um furo. Eles s\u00e3o bem-vindos c\u00e1 para passarem f\u00e9rias e \ngastarem c\u00e1 o dinheiro agora furarem c\u00e1 n\u00e3o furam. V\u00e3o furar para a \nterra deles. E se n\u00e3o forem capazes a gente vai l\u00e1 furar, a gente tamb\u00e9m\n l\u00e1 vai furar. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 para o Alentejo Jos\u00e9 Lu\u00eds mandou a Australis, dizendo que havia \nl\u00e1 muito espa\u00e7o. Ironizou, riu-se, foi mordaz. Mostrou-se admirado por \nMarcelo Rebelo de Sousa n\u00e3o estar ali, j\u00e1 que ia a todo lado. E foi \nignorando os pedidos da moderadora para terminar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Jos\u00e9 Lu\u00eds<br \/><\/em><\/strong><em>Porque\n a primeira pedra que ele l\u00e1 esteja ou a primeira m\u00e1quina, a m\u00e1quina \u00e9 \ndestru\u00edda pelo povo. \u00c9 destru\u00edda pelo povo. (\u2026) Eu tenho direito a viver\n uma vida saud\u00e1vel, eu tenho o direito a dormir descansado de noite. Eu \nn\u00e3o posso estar de noite com medo que haja uma explos\u00e3o de g\u00e1s a um \nquil\u00f3metro da minha casa. Eu n\u00e3o posso dormir com medo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"768\" width=\"1024\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/fumaca.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/bajouca1-1024x768.jpg?resize=1024%2C768&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2904\"\/><figcaption> <br \/>Sal\u00e3o da ABAD \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Bajouquense para o Desenvolvimento cheio, durante a sess\u00e3o de esclarecimento da Australis. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Medo foi a palavra da noite. Do barulho que as m\u00e1quinas v\u00e3o fazer. \nDas \u00e1guas que podem ser contaminadas. De um eventual rebentamento. A \ntudo isto a Australis respondeu com a experi\u00eancias na \u00e1rea, relembrou \nque desde que a empresa existe, 2015, nunca tinha tido nenhum problema \nou acidente, detalhou tim-tim por tim-tim os mecanismos de seguran\u00e7a dos\n po\u00e7os, as v\u00e1rias camadas de revestimento, as v\u00e1lvulas de seguran\u00e7a. \nLembrou que h\u00e1 um estudo de impacte ambiental a ser feito e que se este \nfuro de prospe\u00e7\u00e3o for avante e se encontrar g\u00e1s pass\u00edvel de ser \nexplorado comercialmente tem de ser fazer um novo plano de trabalhos e \num novo Estudo de Impacto ambiental. E que as autoridades nacionais t\u00eam \nde aprovar e fiscalizar tudo isto. Mas as palavras de Ian Lusted soavam \nsempre a conversa fiada. O povo queria garantias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>M\u00e1rcio:<\/em><\/strong><em> \nSe n\u00e3o acontece nada de mal porque \u00e9 que voc\u00eas fazem Estudos de Impacto \nAmbiental? Se corre tudo bem, n\u00e3o tem que haver problema. Agora, eu \nquero saber \u00e9, se a \u00e1gua ficar polu\u00edda, contaminada, o que \u00e9 que n\u00f3s \nfazemos?<br \/><\/em><strong><em>Ian Lusted:<\/em><\/strong><em> If the water is contaminated\u2026<br \/><\/em><strong><em>Tradutora:<\/em><\/strong><em> Se a \u00e1gua for contaminada\u2026<br \/><\/em><strong><em>Ian Lusted:<\/em><\/strong><em> But for sake of clarity i genuinely don\u2019t know how that could happen.<br \/><\/em><strong><em>Tradutora:<\/em><\/strong><em> Mas, para deixar bem claro, n\u00e3o vejo como \u00e9 que isso poderia acontecer.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e1rcio \u00e9 um jovem da Bajouca. N\u00e3o desarmou at\u00e9 ouviu o diretor da \nAustralis fazer uma promessa que um dia antes, em Aljubarrota, n\u00e3o tinha\n feito.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>Ian Lusted:<\/strong> If the water is contaminated, we will supply water. It will not be contaminated.<\/p><p><strong>Tradutora: <\/strong>Se a \u00e1gua fosse contaminada n\u00f3s providenciar\u00edamos \u00e1gua, mas a \u00e1gua n\u00e3o vai ser contaminada.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mas nem assim as pessoas ficaram descansadas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Ruben Mort\u00e1gua<br \/><\/em><\/strong><em>Caso\n algo corra mal que garantias temos em como n\u00e3o encerram a empresa \nAustralis e nos abandonam \u00e0 merc\u00ea da cat\u00e1strofe iminente e descartam \nresponsabilidades? <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ruben Mort\u00e1gua, espele\u00f3logo e membro do GPS \u2013 o Grupo de Prote\u00e7\u00e3o de \nSic\u00f3, nome da serra que liga Condeixa-a-Nova a Pombal, foi at\u00e9 ao sal\u00e3o \nda ABAD apoiar os Bajouquenses. Ele e outros membros desta associa\u00e7\u00e3o \nambientalista, com sede em Pombal, t\u00eam aparecido sempre que h\u00e1 sess\u00f5es \ndeste g\u00e9nero. Como muitos dos presentes naquela noite, parece acreditar \npouco na palavra da empresa e ainda menos na dos pol\u00edticos eleitos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong>Ruben Mort\u00e1gua<br \/><\/strong>O governo n\u00e3o vai fazer nada para nos ajudar. N\u00f3s n\u00e3o confiamos no governo.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Talvez esta ideia sintetize bem o esp\u00edrito da maioria dos populares presentes: desconfian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a equipa da Australis tivesse percebido isso antes e soubesse que \nia encontrar uma plateia totalmente diferente daquela que no dia \nanterior encontrou em Alcoba\u00e7a, teria sido mais cautelosa. Mas n\u00e3o foi.<\/p>\n\n\n\n<p>E <a href=\"http:\/\/www.diarioleiria.pt\/noticia\/41001\">a noite acabou assim<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"1024\" width=\"768\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/fumaca.pt\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/pneusFurados-768x1024.jpg?resize=768%2C1024&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-2905\"\/><figcaption> <br \/>\n Uma das quatro chapas de metal que foram colocadas por debaixo dos \npneus traseiros dos dois carros em que se deslocou a equipa da Australis\n at\u00e9 \u00e0 Bajouca. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em>\n O Z\u00e9 Pedro Lu\u00eds, da Cunha Vaz e associados veio agora ter connosco, eu \nestava a conversar com o presidente da junta e veio dizer que furaram \ndois pneus do carro dele, aqui na sede da ABAD. E, portanto, neste \nmomento foi l\u00e1 o presidente da junta, para verificar, mais as pessoas \nque estavam aqui. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> Est\u00e1 aqui uma chapazinha, no ch\u00e3o\u2026 <br \/><\/em><strong><em>Jos\u00e9 Pedro Lu\u00eds:<\/em><\/strong><em> Eu devia ter visto, fui ing\u00e9nuo. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Jos\u00e9 Lu\u00eds, queres dizer-me o que \u00e9 que aconteceu? N\u00e3o vais prestar declara\u00e7\u00f5es? [Ri-se] N\u00e3o, diz-me s\u00f3 o que \u00e9 que aconteceu? <br \/><\/em><strong><em>Jos\u00e9 Pedro Lu\u00eds:<\/em><\/strong><em> N\u00e3o, n\u00e3o vou, est\u00e1s a gravar n\u00e3o vou falar. <br \/><\/em><strong><em>Jos\u00e9 Pedro Lu\u00eds:<\/em><\/strong><em> Ok. <br \/><\/em><em>(\u2026)<br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em>\n O que aconteceu foi que fizeram uma chapa horizontal com um pequeno \ntri\u00e2ngulo que furou os pneus do carro. Eu tentei que o Jos\u00e9 Lu\u00eds me \ncomentasse o que tinha acontecido, o Jos\u00e9 Lu\u00eds Pedro, que \u00e9 assessor da \nCunha Vaz, e que esteve aqui a noite toda e que esteve na sess\u00e3o de \nontem e ele, bom, n\u00e3o quis comentar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Perguntei ao presidente da Junta da Bajouca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Que \u00e9 que se passou?<br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> Ep\u00e1, isto \u00e9\u2026 Furaram os pneus dos carros deles. Isto \u00e9 de\u2026 isto \u00e9, isto \u00e9 porco, isto n\u00e3o \u00e9 trabalho, isto n\u00e3o \u00e9 trabalho. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Mas estava a falar com a GNR, vem a\u00ed a pol\u00edcia?<\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> N\u00e3\u2026 vem agora a pol\u00edcia.<br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Como \u00e9 que os homens v\u00e3o para casa? <br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> N\u00e3o, isto \u00e9\u2026 Isto \u00e9\u2026 Isto n\u00e3o \u00e9\u2026 Isto n\u00e3o \u00e9\u2026 Isto \u00e9 selvajaria. <br \/><\/em><strong><em>Mulher<\/em><\/strong><em>: Que \u00e9 que, fizeram-te o qu\u00ea? <br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> Olha ali, anda c\u00e1 ver. Est\u00e1s a ver aqui? Um serralheirozinho fez aqui uma chapazinha para furar um pneu. <br \/><\/em><strong><em>Mulher<\/em><\/strong><em>: Eiiiii <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> E furou. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> E furou dois, os dois carros. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Ah de dois carros? <br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> Dois carros. <br \/><\/em><em>(\u2026)<br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> Isto n\u00e3o \u00e9, isto\u2026 <br \/><\/em><strong><em>Populares:<\/em><\/strong><em>\n Todos temos direito a fazer a nossa luta, mas\u2026 Ep\u00e1, mas de forma limpa.\n N\u00e3o \u00e9 preciso estar a fazer. Isto s\u00f3 prejudica, s\u00f3 prejudica a \nsitua\u00e7\u00e3o. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> Ainda bem que estava c\u00e1 um jornalista ainda\u2026 <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Aqueles carros que ali est\u00e3o s\u00e3o os deles, que est\u00e3o parados? <br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> S\u00e3o, l\u00e1 ao fundo. <br \/><\/em><strong><em>Pedro Miguel Santos:<\/em><\/strong><em> Ent\u00e3o e foi o carro de quem? <br \/><\/em><strong><em>Pedro Pedrosa:<\/em><\/strong><em> Eles vinham em dois carros, foi os dois carros\u2026<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>FIM<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p> Esta s\u00e9rie foi escrita por mim, \nPedro Miguel Santos. O Ricardo Esteves Ribeiro fez a edi\u00e7\u00e3o de texto. O \nBernardo Afonso fez a edi\u00e7\u00e3o de som e a banda sonora original que \nacompanha toda a pe\u00e7a. O Frederico Raposo ajudou nas transcri\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>\n Fazem ainda parte da equipa Fuma\u00e7a a Ana Freitas, Joana Batista, \nMargarida David Cardoso, Maria Almeida, Mo Tafech, Sofia Rocha, Tom\u00e1s \nPereira e Tom\u00e1s Pinho. <\/p>\n\n\n\n<p> \u201cA padeira da Bajouca\u201d \u00e9 o epis\u00f3dio 3 da s\u00e9rie D\u00e1-lhe g\u00e1s. <\/p>\n\n\n\n<p> O quarto e \u00faltimo epis\u00f3dio ser\u00e1 publicado neste na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, 14 de maio. <\/p>\n\n\n\n<p> As pessoas que hoje fazem parte da comunidade Fuma\u00e7a j\u00e1 t\u00eam acesso \u00e0 s\u00e9rie completa. <\/p>\n\n\n\n<p>\n Se quiseres ouvir os restantes epis\u00f3dios j\u00e1 junta-te e contribui em \nfumaca.pt\/contribuir ajudando a que o Fuma\u00e7a seja um projeto de \njornalismo financiado por quem nos ouve. <\/p>\n\n\n\n<p> At\u00e9 j\u00e1. \n\n\n\nCORRE\u00c7\u00c3O [02.10.2019]\n\n\n\n\n<br \/>No par\u00e1grafo que refere o nome de ativistas e associa\u00e7\u00f5es presentes \nnuma sess\u00e3o de esclarecimento realizada na Bajouca, a 30 de novembro de \n2018, refere-se a presen\u00e7a de Carla Prino, como estando em representa\u00e7\u00e3o\n do Clim\u00e1ximo. Carla Prino informou-nos, por email, a 01\/10\/2019, de que\n n\u00e3o esteve presente na dita sess\u00e3o, embora tivesse sido anunciada como \numa das oradoras da noite. Da mesma forma, esclareceu que, tendo ido, \nestaria em representa\u00e7\u00e3o do Movimento do Centro contra a Explora\u00e7\u00e3o de \nG\u00e1s e n\u00e3o do Clim\u00e1ximo.&nbsp;A refer\u00eancia ao seu nome foi retirada do texto.<br \/>A informa\u00e7\u00e3o foi-nos prestada por pessoas presentes nesse dia na sess\u00e3o e tom\u00e1mo-la como fidedigna. \nAs nossas desculpas \u00e0 visada e quem nos l\u00ea e ouve pelo erro.\n\n<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>7 Maio 2019 [Este epis\u00f3dio foi produzido para ser ouvido. Mas pode ser lido em simult\u00e2neo. O que se segue abaixo \u00e9 a transcri\u00e7\u00e3o integral de toda a pe\u00e7a \u00e1udio, acompanhada de fotos e mapas.] PARTE I \u2013 VINAGRE Na Bajouca, em Leiria, as pessoas n\u00e3o sabiam que a\u00ed vinha a ind\u00fastria do g\u00e1s. 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