O nosso mundial é por um Portugal menos desigual (VÍDEO)


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Discurso da Academia Cidadã na Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa 2018

 

 

Hoje fizemos soar o apito para mais um campeonato da luta pelos direitos LGBTI+. Porque, infelizmente, em muitos países do mundo ser quem somos ainda é punido com pena de morte. Por isso, sabemos que ainda há muitos golos por marcar! Enquanto na Rússia acontece o Campeonato do Mundo, pessoas LGBTI+ continuam a ser perseguidas e discriminadas. Postas fora de jogo da dignidade humana. E da Tchethénia não esquecemos as vítimas que morrem às mãos do Estado! Chega de hipocrisia! O mínimo que Portugal devia fazer era boicotar esta competição!

Além disso, o Governo Português remata à trave, dentro da NATO, quando não impede que o Estado Turco ponha em campo uma táctica de limpeza étnica no Curdistão. E quando não defende os Palestinianos da política de apartheid do Estado de Israel! A nós, o esquadrão de pinkwashing de Israel não nos finta. We are not your toy!

Em Portugal, o campeonato é outro: vivemos num país em que podemos constituir família pelo casamento e pela adoção.

Mas não levantemos já a taça!

A Academia Cidadã dá cartão vermelho ao Estado Português por não providenciar os cuidados médicos necessários às pessoas trans no Serviço Nacional de Saúde!

Dá-lhe cartão vermelho por vender uma imagem de estabilidade económica, quando a precariedade, o desemprego e a pobreza são endémicos!

Quanto às rasteiras à nossa lei da gestação de substituição, nós exigimos a sua reentrada em campo imediata!

Enquanto isso, Marcelo Rebelo de Sousa, por entre selfies e beijos a velhinhas,  chuta para canto, sempre que os seus afectos não são iguais para todos: pois às pessoas trans negou o direito à autodeterminação!

Ao Presidente da República exigimos em claque: menos selfies e mais respeito!

A um caricato “por favor, não matem os velhinhos”, nós chutamos com um “não os expulsem de casa a favor da especulação imobiliária e do turismo selvagem”!

Ao auto-golo da extração de petróleo em Portugal, nós dizemos nunca!, nem que tenhamos que ir a penalties! A camisola do nosso clube é de todas as cores mas, sobretudo, verde!

E a quem pense que as pessoas da nossa comunidade só devem lutar no campeonato dos seus direitos específicos, saberemos explicar que está tudo interligado. A ganância é da equipa do preconceito. O racismo é da seleção da homofobia. O populismo da extrema-direita joga na mesma liga da transfobia.

É por isso que hoje, ao sairmos à rua, marcamos mais um golo de pontapé de bicicleta pelos nossos direitos. Outro pelos Direitos Humanos de todas e de todos. E fazemos o hat trick pelo direito a vivermos em harmonia com as outras espécies que habitam o planeta.

Porque somos pessoas com fair play e queremos deixar um mundo melhor quando o jogo da nossa vida terminar. Ou quando escolhermos dar-lhe o apito final. Pois tal como lutamos para que nem o Estado, nem ninguém, nos imponham quem devemos amar, também nenhum treinador de bancada tem o direito a dizer-me quando posso ou não morrer!

Viemos à marcha porque não nos contentamos com prémios de consolação: jogamos com garra e goleamos a opressão com a nossa visibilidade, com todas as nossas cores. O nosso futebol joga-se na rua, de megafone e vuvuzelas na mão. Torceremos pela igualdade até ficarmos roucas.

E obrigada a vocês que são a melhor equipa do mundo!

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