Diário de Bordo I Dia 12 I Como okupar um rio


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Mas afinal, como podemos salvar o Jamor?

Melhor do que ninguém para responder a esta pergunta são a Margarida e o José da iniciativa Vamos Salvar o Jamor.

 

Vamos Salvar o Jamor surgiu como um movimento de cidadãos e residentes, pacífico e apartidário, tendo entretanto adquirido o estatuto de Organização Não Governamental de Ambiente (ONGA). O movimento tem como objetivo a retirada do Plano de Pormenor da Margem Direita da Foz do Rio Jamor e sua substituição por soluções alternativas ambientalmente adequadas, social e economicamente justas.”

A explicação da sua página web, bem como as partilhas que vão fazendo nas redes sociais, fez-nos pensar na obrigatoriedade de contactar este grupo de ativistas que, nos últimos anos, têm, de forma praticamente isolada, lutado contra o Golias que é o mercado imobiliário a tentar dominar a zona da Cruz Quebrada. Numa linda manhã de inverno, agradavelmente instalados numa esplanada no Centro Desportivo Nacional do Jamor, passamos rapidamente as apresentações iniciais para chegar ao ponto que mais interessava a todos os presentes: como salvar um rio?

Margarida e José foram bem claros. Salva-se um rio com comprometimento e muito amor. Salva-se um rio com atenção e persistência. Quem quer salvar um rio, e sobretudo um rio em contexto urbano, como é o caso do Jamor, tem de ser obstinado, quase obcecado. Pois muitas são as forças contrárias: poderes autárquicos (leia-se Câmara Municipal de Oeiras) mais interessados no retorno financeiro do que na preservação ambiental dos territórios; entidades gestoras de uma importante área ribeirinha (leia-se Centro Desportivo Nacional do Jamor) mais entregues a lutas de poder e de capital, do que a gerir democraticamente um espaço que é de todos nós; entidades responsáveis pelo desenvolvimento de planos de reabilitação de bacia hidrográfica (leia-se Parques de Sintra – Monte da Lua e o eixo verde e azul) mais comprometidas com a especulação turística, do que em preservar e valorizar as realidades sociais e ambientais já existentes. Ficou combinada uma futura mega-entrevista, itinerante ao longo das margens do rio, onde Margarida e José nos explicarão tudo sobre os temas mais escaldantes da última parte do Jamor!

Mesmo no final da conversa, apareceram-nos por magia em cima da mesa dois copinhos de ginginha. Depois descobrimos que não foi magia, foi o simpático do José Carvalho, desportista e também ativista do Vamos Salvar o Jamor, quem os trouxe, e nos informou com um belo sorriso: “É ginginha do Jamor!”. Brindes à parte, a verdade é que uma ginginha antes do almoço deu depois direito à bela da sesta…

 

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