Diário de Bordo I Dia 10 I Como okupar um rio


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Microfones e malmequeres

A Luísa e o Luís conheceram-se há já muitos anos, trabalhava ele ainda na Marinha e ela limpava-lhe a casa.

 

Já nessa altura se davam bem e conversavam muito. Nas suas conversas havia um tema recorrente: as origens rurais da Luísa e a vontade do Luís em ter uma horta. Hoje já ele está reformado e ela arranjou outro trabalho. Mas nunca perderam o contacto. Um dia a Luísa soube que um vizinho ia largar o pedaço de terreno que okupava ao pé do Jamor, ali mesmo ao pé da estação de comboios de Queluz, e onde mantinha uma pequena horta okupa. Cheia de vontade de matar saudades de enfiar as mãos na terra, mas receando que a tarefa fosse grande demais para fazê-la sozinha, lançou o desafio ao Luís: que sempre tinha falado na vontade de ter uma horta, não queria agora aproveitar aquela oportunidade?

Foi assim que começou a história da horta okupa que visitamos neste dia, para realizar mais uma entrevista filmada.

Para quem nos tem acompanhado, já conhece a dupla maravilha, que há três anos se juntou à comunidade okupa do Jamor, para fazer do rio, e das suas margens, um bem comum. Depois da primeira visita, não foi fácil voltar a encontra-los. Por incompatibilidade de horários, a marcação desta entrevista foi tarefa algo trabalhosa. Foi o antigo método da carta pendurada na cancela da horta okupa que nos fez voltar à fala com os dois hortelãos okupa.

 

 

No dia da entrevista, quando chegamos carregadas com os equipamentos para filmar, para além da Luísa e do Luís, também lá estava o Sr. Heitor, hortelão vizinho que igualmente okupa uma bela horta e que claro que convidamos para também conversar connosco.

O guião previamente preparado praticamente não foi necessário. Apesar da estranheza inicial da câmara a apontar, os três rapidamente se envolveram numa conversa sobre como fazer hortas no meio da cidade, remédios biológicos para afastar pragas, o direito ao rio, o bem que faz estar em contacto com a Natureza.

A meio da entrevista juntou-se mais um okupa de uma horta vizinha: o Sr. Teixeira, que, com 82 anos, ainda pega na enxada para cavar a terra, semear, plantar e daí colher belos frutos.

 

 

Quando nos viemos embora, para além dos equipamentos para filmar, ainda trazíamos mais sacos. Os nossos queridos entrevistados haviam preparado uma bela trouxa de vegetais: chuchus, alfaces, couve, abóbora, salsa e lindos malmequeres cor de púrpura!

E a bela sopinha que nesse dia cá por casa se fez ao jantar…

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